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Para FBI, autor do massacre não era uma ameaça

Segurança tinha dois empregos, porte de arma e havia sido alvo de investigação federal por supostas ligações com grupos terroristas

O Estado de S. Paulo

12 Junho 2016 | 17h38

ORLANDO - O autor do massacre deste domingo, 12, na boate LGBT em Orlando foi investigado duas vezes entre 2013 e 2014 por suas possíveis ligações com grupos terroristas. O agente do FBI Ron Hopper confirmou em entrevista coletiva que Omar Mir Seddique Mateen fez a colegas de trabalho “comentários que sugeriam suas possíveis ligações com terroristas”, o que levou as autoridades a levantar seus antecedentes, com imagens de câmeras de vigilância e entrevistas com ele em duas ocasiões.

O agente confirmou que as investigações foram encerradas por falta de provas e também pela impossibilidade de confirmar a veracidade dos comentários. Em 2014, Mateen reapareceu no radar das autoridades por suposta ligação com Abusalha Moner Mohammad, extremista com nacionalidade americana que morreu em um ataque suicida na Síria. O FBI realizou uma investigação e entrevistou novamente Mateen, mas concluiu que o contato foi mínimo e ele “não constituía ameaça naquele momento”, disse Hopper.

Segundo o agente, Mateen teria feito uma chamada para o número de emergência 911, declarando sua lealdade aos líderes do Estado Islâmico (EI). Hopper também disse que o FBI continua investigando as possíveis ligações dele com grupos de afiliação islâmica dentro e fora dos EUA.

O pai de Omar, Seddique Mateen, também conhecido como Mir Seddique, descartou motivos religiosos para a ação e apontou para homofobia. “Isso não tem nada a ver com religião”, disse ele à rede de televisão NBC News.

Mir Seddique afirmou que seu filho ficou transtornado, há cerca de dois meses, durante viagem a Miami, quando viu dois homens se beijando. Ele acredita que o episódio possa estar por trás do ataque. “Peço desculpas pelo incidente. Não estávamos conscientes de que ele estivesse premeditando algum tipo de ação. Estamos em estado de choque da mesma forma que todo o país”, disse. 

“Ele não era uma pessoa estável”, declarou a ex-mulher de Mateen ao jornal The Washington Post, sob a condição de anonimato. “Ele me batia. Vinha para casa e começava a me machucar porque eu não tinha lavado as roupas ou coisas assim”, afirmou a mulher, que conheceu o suspeito há oito anos na internet e decidiu se mudar para a Flórida para se casar com ele, em março de 2009.

No início dos poucos meses em que estiveram casados, “ele parecia ser normal” até que se tornou violento. Ela disse que o marido não era muito religioso e ia à academia com frequência fazer exercícios. Segundo a ex-mulher, ele nunca deu sinais de ter se radicalizado e tinha porte de armas pois trabalhava em uma empresa de segurança e como guarda em um centro de delinquentes juvenis.

A ex-mulher disse que seus pais intervieram ao saber que Mateen a agrediu. Eles foram para Fort Pierce, onde o casal morava, e a tiraram de casa. Ela disse ainda que não teve mais contato com Mateen, apesar de suas tentativas de se comunicar. O divórcio foi formalizado em 2011. / EFE

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