MySpace/Reprodução
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EUA investigam relatos de que autor de ataque em Orlando poderia ser gay

O cliente Jim Van Horn contou que já tinha visto Omar Mateen na boate onde ocorreu o ataque, e disse que quando conversaram, o atirador falou sobre a ex-mulher

O Estado de S. Paulo

14 Junho 2016 | 08h33

ORLANDO, EUA - Autoridades americanas estão investigando relatos de que o homem que matou 49 pessoas em uma boate gay em Orlando poderia ser homossexual, mas não abertamente, disseram duas autoridades nesta terça-feira, 14, com uma delas descrevendo o massacre como um possível "crime de auto-ódio". Além disso, o atirador que também deixou 53 feridos na madrugada de domingo já tinha sido visto outras vezes no clube, segundo alguns clientes da casa.

Existem diversas possibilidades de motivações. Durante a ação, Omar Mateen fez uma séria de chamadas para o número 911, o canal de emergência nos Estados Unidos, durante as quais jurou lealdade ao líder do Estado Islâmico (EI), Abu Bakr al-Baghdadi, cujo grupo ocupa vastas porções do Iraque e da Síria.

Agentes federais disseram que Mateen provavelmente se radicalizou sem orientação externa e não há evidências de que ele recebeu instrução ou auxílio de grupos externos, como o Estado Islâmico.

Kevin West, um veterano da Marinha americana de 37 anos, disse que estava no estacionamento da Pulse à 1h da manhã na madrugada em que aconteceu o atentado e reconheceu Mateen quando o viu entrando na boate.

Eles se conheceram quando Mateen, há mais de um ano, contatou West por meio do aplicativo de relacionamento Jack’d, voltado para homens, no qual mantinha um perfil. Eles haviam perdido contato, até que há três meses, quando o atirador fez contato novamente, disse que logo estaria em Orlando e sugeriu que ambos se encontrassem. West contou ainda que o viu diversas vezes na casa noturna. “Eu nunca esqueço um rosto”, disse.

Outro frequentador do local, Cord Cedeno, afirmou que já tinha visto Mateen no bar da casa noturna. “Ele era fácil de reconhecer”, disse Cedeno, que também foi contatado pelo atirador por meio do aplicativo em 2015.

Jim Van Horn, de 71 anos, disse ser um frequentador assíduo da boate Pulse e contou à agência de notícias Associated Press na segunda-feira que viu Mateen no local tentando flertar com outros homens. De acordo com a versão de Van Horn, ele conheceu Mateen em uma ocasião e, quando conversaram, o atirador falou sobre sua ex-mulher.

O cliente da casa noturna afirmou que alguns amigos o chamaram de lado e lhe disseram que não queriam que ele conversasse com Mateen porque “pensavam que ele era uma pessoa estranha”.

Apesar de antes do atentado Mateen ter declarado que era seguidor do grupo extremista Estado Islâmico, começam a surgir outras explicações possíveis sobre o ataque, incluindo a dúvida sobre se ele sofria um conflito com relação a sua sexualidade.

A ex-mulher de Mateen explicou que ele sofria de uma doença mental. Já o pai, um imigrante afegão, sugeriu que o atentado poderia estar relacionado a uma questão de ódio pelos homossexuais.

Passado. Segundo informações do jornal The Washington Post, por ser um cidadão americano de origem afegã, ele sofria bullying na escola onde estudava. Trocava constantemente de emprego e se tornou uma pessoa muito frustrada, imprevisível e propensa à raiva.

Alguns dos colegas de classe de Mateen mencionaram um momento atípico no colégio durante os atentados de 11 de setembro quando viam pela televisão o que estava acontecendo no país. Quatro alunos disseram que Mateen aplaudiu e zombou da ação dos terroristas contra o World Trade Center. A reação fez com que ele fosse expulso da sala de aula.

Segundo autoridades sauditas, Omar fez duas viagens de peregrinação à Meca na Arábia Saudita. "Realizou a umrah (peregrinação menor) em março de 2011, durante dez dias, e em março de 2012, durante oito dias", indicou o porta-voz do Ministério do Interior, que não deu mais detalhes.

A emissora CNN afirmou na segunda que Mateen viajou também aos Emirados Árabes Unidos. O chefe do FBI, James Comey, expressou sua convicção de que Mateen se "radicalizou" em parte pela internet. /ASSOCIATED PRESS e REUTERS 

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