Autor dos hinos de URSS e Rússia morre aos 96 anos

O autor das letras dos hinos nacionais soviético e russo, Sergei Mikhalkov, morreu hoje, em Moscou, aos 96 anos. A informação é de um porta-voz de seu filho, o diretor de cinema Nikita Mikhalkov. Líderes russos lamentaram a morte de Mikhalkov e a televisão estatal dedicou ampla cobertura ao fato. "Em todo momento, Sergei Mikhalkov viveu à altura dos interesses de nossa pátria mãe, trabalhou para ela e criou nela", afirmou o presidente Dmitry Medvedev, em comunicado.Mikhalkov era um jovem autor e correspondente de guerra, em 1943, quando teve seus poemas elogiados pelo ditador Josef Stalin. O dirigente o encarregou, então, de escrever a letra do novo hino soviético, que deveria inspirar os soldados do Exército Vermelho, em plena Segunda Guerra (1939-45). A letra foi escrita por Mikhalkov e por um jornalista chamado Gabriel El Registan, enquanto Alexander Alexandrov fez a música.Em 1977, Mikhalkov realizou algumas alterações no hino, com a aprovação dos dirigentes comunistas. Com o colapso da União Soviética, o hino do país passou a ser uma peça instrumental do século 19, escrita por Mikhail Glinka. Porém, após Vladimir Putin assumir a presidência, em 2000, ele restaurou o velho hino, com novas alterações realizadas por Mikhalkov. A primeira versão do hino elogiava Stalin, com frases como "nos elevou na lealdade junto ao povo" e "nos inspirou ao trabalho e ao heroísmo".Primeiro como funcionário e depois como presidente do Sindicato dos Escritores Soviéticos, controlado pelo governo, Mikhalkov integrou a máquina propagandista da União Soviética, cuja meta era doutrinar os cidadãos e eliminar a dissidência. Ele participou de campanhas contra autores considerados "antissoviéticos", como os ganhadores do Prêmio Nobel de Literatura Boris Pasternak e Alexander Solzhenitsyn. Este último foi deportado do país, em 1974.Nikita, o filho de Mikhalkov, ganhou o Oscar pelo filme "O sol enganador" (1994), que mostra uma família durante os expurgos stalinistas dos anos 1930. Seu outro filho, Andrei Konchalovsky, atuou em Hollywood e dirigiu "O trem do inferno" (1985), indicado para o Oscar.

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