Gabriel Bouys/AFP
Gabriel Bouys/AFP

Autor francês que satiriza Islã em romance diz que 'tem medo'

Michel Houellebecq reconhece que "nada mais será como antes" após o ataque na semana passada contra o jornal de humor francês

O Estado de S. Paulo

14 de janeiro de 2015 | 17h58

O escritor francês Michel Houellebecq reconheceu que "nada mais será como antes" após o ataque na semana passada contra o jornal de humor francês Charlie Hebdo, em uma entrevista publicada nesta quarta-feira, 14, pelo jornal italiano Il Corriere della Sera.

A entrevista foi concedida por ocasião do lançamento na Itália do seu polêmico romance Submission, no qual imagina um muçulmano como presidente da França em 2022 e que tem sido acusado de ser um texto "islamofóbico". No Brasil, a editora Alfaguara anunciou que lançará o livro com o título de Submissão ainda este semestre.

"Eu admito, tenho medo", confessou o romancista, que alegou, como reza o lema da Charlie Hebdo, "publicação irresponsável", de ser também um "irresponsável". "Sim, eu sou um irresponsável, assumo, se não fosse assim eu não poderia continuar escrevendo", disse.

O autor francês decidiu suspender a promoção do romance na França depois de protagonizar a capa da edição trágica do jornal Charlie Hebdo publicada no dia do ataque. "Nada mais será como antes" após os atentados em Paris que mataram 17 pessoas, incluindo vários cartunistas do semanário, assegurou Houellebecq.

O romancista irreverente aprovou a decisão da revista de reaparecer nesta quarta-feira com uma caricatura de Maomé na capa. "Era o que tinham de fazer. Uma decisão justa. É justo continuarem fieis à sua linha", disse ele. / AFP

 

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