REUTERS/Francois Lenoir
REUTERS/Francois Lenoir

Autores de ataques em Paris usaram nomes falsos para alugar casas na Bélgica

Imóveis nas cidades de Bruxelas, Charleroi e Auvelais serviram de 'base de conspiração', segundo promotoria belga; autoridades revistaram locais entre 26 de novembro e 10 de dezembro

O Estado de S. Paulo

13 Janeiro 2016 | 15h35

BRUXELAS - Os autores do massacre de 13 de novembro em Paris alugaram uma casa em Bruxelas com um nome falso espanhol e utilizaram outras identidades fictícias para alugar outras duas casas, informou a promotoria da Bélgica nessa quarta-feira, 13.

Os imóveis tratam-se de um apartamento no bairro de Schaerbeek, em Bruxelas, outro na cidade de Charleroi e um terceiro em Auvelais - ambos núcleos urbanos no sul do país, muito próximos um do outro - que foram utilizados pelos três jihadistas como bases "de conspiração".

O primeiro, situado na rua Henri Bergé, na capital belga, foi alugado sob a identidade falsa de "Fernando Castillo" em 1º de setembro de 2015, pelo período de um ano. Neste imóvel as autoridades encontraram as impressões digitais de Salah Abdeslam, alvo de um mandado de busca e captura internacional, e o DNA de Bilal Hadfi, que explodiu seu colete-bomba junto ao Stade de France. Não foram localizadas armas.

Na revista realizada no local em 10 de dezembro, foram encontrados materiais para a preparação de explosivos, balanças de precisão, restos de TATP (peróxido de acetona), cintos de segurança e um diagrama desenhado à mão descrevendo um personagem que leva um cinto largo na cintura.

A promotoria já tinha reconhecido que o apartamento de Scharbeek serviu de base aos terroristas para preparar os explosivos para o massacre que deixou 130 mortos e quase 300 feridos em novembro em Paris. Segundo os meios de comunicação belgas "De Standaard", "Het Niewsblad" e "Het Laatste Niews", o imóvel serviu também "de esconderijo" para Salah Abdeslam em sua fuga após os ataques.

Outras bases. Em 3 de setembro o apartamento da rua du Fort de Charleroi foi alugado com o nome fictício de Maaroufi Ibrahim, também por um período de um ano.

As forças de segurança fizeram uma busca no apartamento em 9 de dezembro, e acharam colchões e as impressões digitais de Bilal e de Abdelhamid Abaaoud, que foi abatido em uma operação antiterrorista menos de uma semana após os ataques na França.

Finalmente, os terroristas alugaram a casa da rua de Radache de Auvelais em 5 de outubro com a falsa identidade de Kayal Soufiane, que já tinha sido utilizada por uma das duas pessoas que Abdeslam foi buscar em Budapeste em 9 de setembro.

Nesta casa, revistada em 26 de novembro, havia vários colchões, mas não havia armas nem explosivos. Os aluguéis e as fianças das casas foram pagas todos em dinheiro.

Os investigadores se certificaram que um veículo, Seat Leon, utilizado durante os atentados de Paris tinha passado perto das casas de Charleroi e Auvelais. Além disso, o BMW alugado por Mohammed Amri, um dos dois homens que admitiram ter levado Abdeslam de Paris a Bruxelas logo após os atentados, passou perto das três casas.

A promotoria belga indicou que várias provas recolhidas durante as três batidas ainda estão sendo analisadas. / EFE, AP e NYT

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