AFP PHOTO / SALAH HABIBI
AFP PHOTO / SALAH HABIBI

Autores de atentado a museu foram treinados pelo EI na Líbia

Segundo o governo tunisiano, os dois atiradores - mortos pela polícia - entraram na Tunísia de forma clandestina em dezembro

O Estado de S. Paulo

20 Março 2015 | 11h17

TÚNIS - Os autores do atentado que matou 19 turistas estrangeiros na quarta-feira em um museu em Túnis se formaram nas fileiras do braço líbio do Estado Islâmico (EI) e entraram na Tunísia justamente pelo país vizinho.

Segundo o secretário de Estado de assuntos de segurança da Tunísia, Rafik Chelly, os autores entraram no país de forma clandestina em dezembro. "Sabemos que treinaram em algum dos campos para tunisianos takfiries (ramo ultra radical do islã) da Líbia, em Sabratam, Benghazi ou Derna", esta última cidade bastião do EI no leste líbio, afirmou o secretário, citado nesta sexta-feira, 20, pela imprensa local.

Chelly admitiu que os homens estavam no ponto de mira da polícia e eram investigados, mas se desconhecia que pudessem estar planejando um ataque como o de quarta.

No atentado, um jovem de cerca de 20 anos armado com um fuzil abriu fogo contra um grupo de turistas que estavam em um ônibus na área de estacionamento do Museu Bardo, o mais importante da Tunísia. Após os disparos, que mataram sete pessoas, os terroristas retiveram vários reféns e se entrincheiraram na área de jardins que existe entre o museu e o edifício do Parlamento, no qual tentaram entrar.

Na operação policial posterior, morreram outras 14 pessoas, segundo o balanço definitivo de vítimas, estabelecido em 23 pessoas - entre elas os dois atiradores.

A autoria do atentado foi reivindicada em um vídeo postado na internet pelo grupo extremista Estado Islâmico.

Na quinta-feira, forças de segurança tunisianas anunciaram que tinham prendido nove pessoas, sendo que quatro eram interrogadas por suposta participação nos ataques e cinco por ter dado apoio e cobertura à célula terroristas.

O primeiro-ministro Habib Essid anunciou novas medidas de segurança como a repressão a sites que promovem o terrorismo. O ministro do Interior da França, Bernard Cazeneuve, viajou a Túnis nesta sexta-feira, uma visita que já estava prevista e que coincide com o feriado do Dia da Independência no país.

O presidente Barack Obama falou com o presidente tunisiano Beji Caid Essebsi pelo telefone para oferecer suas condolências, simpatia e apoio. A Casa Branca informou que Obama ofereceu a manutenção da ajuda ao país durante as investigações.

Os policiais não descartavam que os terroristas tivessem recebido apoio logístico do grupo jihadista local Ansar Al-Sharia, que tem seus bastião na região de Kasserin, uma zona montanhosa próxima à fronteira com a Argélia. Ali, em meados do último mês de fevereiro, um grupo de terroristas abriu fogo contra um posto de controle da Guarda Nacional e matou quatro militares.

Desde então, a polícia e o Exército realizam uma grande operação para deter os autores e controlar um território de cem quilômetros quadrados de exclusão militar onde se concentram jihadistas provenientes de vários países do Sahel.

Na própria quarta-feira, o pai de um dos supostos terroristas mortos explicou que desconhecia o paradeiro de seu filho e acreditava que ele tinha viajado ao Iraque ou Síria para juntar-se ao EI.

Perante esta situação, o governo convocou na quinta-feira uma reunião especial de segurança para implantar novas medidas que blindem um país que é o maior exportador de jihadistas à Síria e ao Iraque, cerca de três mil segundo fontes da luta antiterrorista. /AP e EFE

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