Autoridade da cúpula rebelde síria parece cada vez mais fraca

Análise: Dominic Evans / Reuters

O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h05

A ameaça de desertores de ampliar os ataques ao regime de Damasco aumenta as dúvidas sobre o controle que a cúpula rebelde tem sobre seus combatentes. O mesmo o coronel Riad al-Asaad, número 1 do Exército Sírio Livre (ESL) que prometeu ontem intensificar as operações de sabotagem em resposta à "atuação insatisfatória" dos monitores da Liga Árabe, havia ordenado, no início da semana, a suspensão dos ataques a forças de segurança enquanto os observadores da Liga Árabe estivessem na Síria. A ordem aparentemente foi ignorada pelos combatentes rebeldes no terreno, que mataram pelo menos nove soldados em três ataques.

Na sua base no norte da Síria, na fronteira com a Turquia, Asaad tem sido descrito por alguns observadores como mais um testa de ferro do que um líder do ESL. O grupo armado diz contar com mais de 15 mil desertores do Exército nas suas fileiras, mas o número real, adesões e capacidades permanecem um mistério.

"Não estou certo até que ponto o ESL tem controle sobre os militantes", disse o analista Julien Barnes-Dacey, da agência Control Risks, de Londres. "Muitos destes grupos estão operando em bases autônomas".

Os ataques realizados pelos soldados rebeldes começaram a tirar a importância dos dez meses de protestos pacíficos. E as autoridades aproveitaram para usar essas ações como prova de que a Síria enfrenta combatentes islâmicos armados e apoiados por forças estrangeiras.

Desde novembro, os rebeldes atacaram de surpresa comboios militares e uma base aérea. Apoderaram-se de postos de controle do Exército e provavelmente lançaram ataques contra um centro de inteligência e um escritório do partido no governo, o Baath, no centro de Damasco.

A dimensão dos ataques lançados pelo ESL já despertou temores de que o país mergulhe numa guerra civil. Burhan Ghalioun, líder do Conselho Nacional Sírio, principal grupo opositor do regime, insistiu para os desertores e insurgentes limitarem suas operações e defenderem os protestos pacíficos, dizendo ser "fundamental para o sucesso da nossa revolução preservarmos seu caráter pacífico".

A tensão entre as alas política e armada da revolta é similar às divergências entre a oposição síria no exílio, que procura reunir apoio internacional, e os manifestantes e rebeldes dentro da Síria, que atuam de modo muito independente, dizem analistas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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