Autoridade de cúpula rebelde síria parece cada vez mais fraca

Análise: Dominic Evans / Reuters

O Estado de S.Paulo

06 de janeiro de 2012 | 03h04

A ameaça de desertores de ampliar os ataques ao regime de Damasco aumenta as dúvidas sobre o controle que a cúpula rebelde tem sobre seus combatentes. O mesmo o coronel Riad al-Asaad, número 1 do Exército Sírio Livre (ESL) que prometeu ontem intensificar as operações de sabotagem em resposta à "atuação insatisfatória" dos monitores da Liga Árabe, havia ordenado, no início da semana, a suspensão dos ataques às forças de segurança enquanto os observadores da Liga Árabe estivessem na Síria. A ordem aparentemente foi ignorada pelos combatentes rebeldes no terreno, que mataram pelo menos nove soldados em três ataques.

Na sua base no norte da Síria, Asaad tem sido descrito mais como um testa de ferro do que um líder do ESL. A milícia diz contar com mais de 15 mil desertores do Exército nas suas fileiras, mas o número real permanece um mistério. "Não estou certo até que ponto o ESL tem controle sobre os militantes", disse o analista Julien Barnes-Dacey, da agência Control Risks, de Londres. "Muitos grupos estão operando em bases autônomas".

Os ataques dos rebeldes começaram a tirar a importância dos dez meses de protestos pacíficos. E as autoridades aproveitaram para usar essas ações como prova de que a Síria enfrenta combatentes islâmicos armados e apoiados por forças estrangeiras.

A dimensão dos ataques do ESL desperta temores de que o país mergulhe numa guerra civil. Burhan Ghalioun, líder do Conselho Nacional Sírio, principal grupo opositor do regime, insistiu que os desertores e insurgentes limitem suas operações e defendam os protestos pacíficos. A tensão entre as alas política e armada da revolta é similar às divergências entre a oposição síria no exílio, que procura reunir apoio internacional, e os manifestantes e rebeldes dentro da Síria, que atuam de modo muito independente, dizem analistas. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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