Sean Rayford/Getty Images/AFP
Sean Rayford/Getty Images/AFP

Carolina do Norte declara estado de emergência após protestos

Manifestação contra morte de negro por policial termina em confusão e vários feridos, pelo menos um está internado em estado grave

O Estado de S. Paulo

21 de setembro de 2016 | 21h27

CHARLOTTE, EUA - Protestos violentos contra a morte de um negro por um policial em Charlotte, na Carolina do Norte, deixaram na noite desta quarta-feira, 21, vários feridos, em estado grave. A polícia local negou que tenha atirado contra manifestantes e garantiu que o ferido havia recebido um disparo durante um confronto entre civis. O governador Pat McCrory declarou estado de emergência, e a Guarda Nacional e a Polícia Rodoviária Estadual estão na cidade.

Foi a segunda noite de protestos em Charlotte. A confusão começou na terça-feira, depois que Keith Lamont Scott foi morto pelo policial Brentley Vinson – ambos negros. Amigos, familiares e testemunhas dizem que ele estava desarmado. Kerr Putney, chefe da polícia local, contestou a versão. Segundo ele, os policiais abriram fogo porque avaliaram que ele representava uma ameaça. Scott teria saído armado do carro no qual foi abordado. Em seguida, ele teria sido alertado para largar a pistola e não obedeceu. 

“Posso garantir que a história foi diferente do narrado nas redes sociais”, disse Putney. No entanto, um vídeo publicado por uma mulher que se diz filha de Scott mostra a vítima segurando um livro, não uma arma. Vinson, oficial responsável pelos disparos, foi afastado do cargo enquanto investigações prosseguem. No momento dos tiros, ele não portava a microcâmera que registra ações policiais em abordagens como essa.

Na madruga de quarta-feira, os policiais tiveram muita dificuldade para dispersar a multidão, mesmo usando bombas de gás lacrimogêneo. Ao todo, 12 policiais ficaram feridos durante os tumultos na manifestação, a mais recente da série que tem ocorrido em grandes cidades americanas como Milwaukee, Baltimore e Ferguson. 

No protesto de quarta-feira, manifestantes bloquearam a rodovia interestadual 85, roubaram caixas de papelão de caminhões, quebraram vitrines de lojas e iniciaram incêndios. A prefeita de Charlotte, a maior cidade da Carolina do Norte, com mais de 825 mil habitantes, Jennifer Roberts, disse que a comunidade “merece respostas” e prometeu uma “investigação completa”.

O caso ocorre em um momento de tensão racial, que cresceu nos últimos dois anos pela morte de dezenas de negros pelas mãos de policiais brancos, e dias depois que uma agente matou um negro desarmado na cidade de Tulsa, em Oklahoma, em outro caso que provocou revolta na comunidade negra.

No início da madrugada, em conversa com os prefeitos de Tulsa e de Charlotte, o presidente Barack Obama pediu calma na reação aos protestos . / NYT, AFP e REUTERS 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.