Autoridade palestina tira Al-Jazira do ar na Cisjordânia

O governo palestino suspendeu hoje as operações da emissora Al-Jazira na Cisjordânia, um dia depois de um participante de um programa do canal ter acusado o presidente palestino de ter participado da morte de Yasser Arafat. O convidado da emissora, Farouk Kaddoumi, disse ontem durante um talk show, sem apresentar qualquer evidência, que o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, teve participação na morte, em 2004, de Arafat, fundador do movimento nacional palestino. Kaddoumi, um graduado funcionário da Organização para a Libertação da Palestina (OLP) em Túnis, na Tunísia, é um antigo rival de Abbas.

AE-AP, Agencia Estado

15 de julho de 2009 | 13h09

No comunicado anunciando a suspensão, o Ministério da Informação não mencionou os comentários feitos por Kaddoumi, apenas acusou o popular canal árabe de incitamento e de fazer reportagens não equilibradas dos territórios palestinos. O comunicado acrescenta que o ministério considerou particularmente as transmissões de ontem da Al-Jazira, sem dar detalhes. O ministério abriu processo contra a emissora e suspendeu suas operações até decisão judicial.

Os funcionários da Al-Jazira em Ramallah foram vistos colocando arquivos em sacos de lixo e os levando para fora do prédio, juntamente com câmeras, computadores e outros equipamentos antes da chegada dos funcionários de segurança palestinos ao local. O fechamento afeta os serviços em inglês e em árabe do canal.

Liberdade

Walid Al Omary, diretor da Al-Jazira em Jerusalém, negou as acusações. "Sentimos muito sobre esta decisão, que consideramos uma violação à liberdade de expressão e à liberdade de imprensa neste país", disse ele. A sede da Al-Jazira no Catar emitiu um comunicado dizendo que a emissora "manteve seus rígidos e profissionais padrões de jornalismo".

"A reação da Autoridade Palestina reflete a repressão à liberdade aos meios de comunicação e a recusa em permitir outras opiniões", diz o documento. Auxiliares de Abbas afirmam que a emissora do Catar, que tem grande audiência nos territórios palestinos, tem apoiado o grupo militante islâmico Hamas em sua luta pelo poder.

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