Matt Dunham/AP
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Autoridade quis economizar em reforma de prédio que pegou fogo em Londres

De acordo com e-mails obtidos pelo Times e pela BBC, em julho de 2014, a autoridade administrativa de Kensington e Chelsea pressionou a empresa responsável pela obra, a fim de obter bom preço em obra

O Estado de S.Paulo

30 Junho 2017 | 14h04

LONDRES - A autoridade administrativa do bairro mais rico de Londres foi alvo de críticas nesta sexta-feira, 30,  por ter exigido uma redução nos custos da reforma da torre Grenfell, onde ao menos 80 pessoas morreram em um incêndio no dia 14.

De acordo com e-mails obtidos pelo Times e pela BBC, em julho de 2014, a autoridade administrativa de Kensington e Chelsea pressionou a empresa responsável pela obra, a fim de obter "um bom preço" para a reforma do edifício de moradias populares.

Entre as três opções que permitiriam uma redução dos custos, a Kensington and Chelsea Tenant Management Organisation (KCTMO), organismo público que administra as habitações sociais para o município, menciona a possibilidade de usar painéis de alumínio - mais baratos, mas também menos resistentes ao fogo - em vez de zinco na fachada. A troca significaria uma economia de 293.000 libras (333.000 euros).

Compostos de placas de alumínio e de polietileno (plástico), os painéis da fachada da torre Grenfell são suspeitos de terem contribuído para a rápida propagação do fogo que destruiu o edifício durante a noite de 13 a 14 de junho.

Na segunda-feira, a empresa americana Arconic anunciou a descontinuação da venda desse revestimento para uso em arranha-céus. Suspeita-se que o material tenha sido utilizado em centenas de prédios no Reino Unido.

O governo britânico disse ter identificado 149 edifícios, 100% dos imóveis inspecionados até agora, que não cumprem as exigências para a prevenção de incêndios.

Já muito criticada por sua gestão da tragédia, a autoridade administrativa de Kensington e Chelsea também foi acusada de vetar os sobreviventes do incêndio e a imprensa de uma reunião de seu conselho municipal na quinta-feira (29).

"Na primeira oportunidade de dar respostas, o conselho decidiu banir os moradores e jornalistas. Isso ultrapassa o nosso entendimento, é uma loucura", criticou o prefeito de Londres, Sadiq Khan.

O opositor trabalhista Robert Atkinson denunciou um "fiasco" e pediu a renúncia do presidente do conselho, o conservador Nicholas Paget-Brown.

Já a primeira-ministra britânica, Theresa May, lamentou que o conselho tenha adiado a reunião de quinta-feira, depois que os moradores e jornalistas foram finalmente autorizados a entrar na sala após decisão judicial.

Ela estimou que o conselho deveria "ter respeitado a decisão" do Supremo Tribunal de Justiça, afirmou seu porta-voz.

Também na quinta-feira, May nomeou o ex-juiz do Tribunal de Recurso Martin Moore-Bick para dirigir o inquérito público sobre a tragédia.

No edifício calcinado, as operações de recuperação dos corpos devem continuar até o final do ano. Chega a pelo menos 80 o número oficial de mortos. /AFP

 

 

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