AFP /  JOHN MACDOUGALL
AFP / JOHN MACDOUGALL

Merkel é criticada por falha na vigilância do suspeito do ataque em Berlim

Apesar das informações a respeito do tunisiano Anis Amri, ele foi deixado em liberdade por falta de provas ou por falta de coordenação entre as diferentes esferas do governo, aponta imprensa do país

O Estado de S. Paulo

22 Dezembro 2016 | 16h20
Atualizado 22 Dezembro 2016 | 20h22

BERLIM - A pressão sobre o governo alemão pelas falhas que permitiram que o tunisiano Anis Amri continuasse livre, apesar de já ter sido detido e fichado antes como islamista perigoso, cresceu nesta quinta-feira, 22. Ele é suspeito de matar 12 pessoas ao atacar uma feira natalina em Berlim com um caminhão na segunda-feira.

“Não é dessa maneira que vamos garantir a segurança da Alemanha”, criticou Armin Laschet, um dos líderes do CDU, o partido conservador da chanceler Angela Merkel. 

Até esta noite, Amri, que completou 24 anos nesta quinta, continua foragido. Uma ordem internacional de prisão contra ele foi emitida na quarta-feira e a Alemanha está oferecendo uma recompensa de 100 mil euros por informações que levem à captura do suspeito. 

Mais de cem policiais realizaram uma segunda operação de busca e apreensão em um centro de refugiados de Emmerich, onde Amri morou por alguns meses, sem encontrar pistas.

A autoria do atentado foi reivindicada pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI), mas não há provas de que a organização participou diretamente do ataque. Seis vítimas são alemãs e uma sétima foi identificada como israelense.

Além das críticas recorrentes à sua política de recepção de refugiados, Merkel terá de enfrentar a polêmica provocada pela falta de coordenação das autoridades no momento de vigiar o principal suspeito. O caso de Amri evidencia falhas do sistema “como se as observássemos com uma lupa”, disse outro integrante da CDU, Stephan Mayer.

Deslizes. A polícia perdeu tempo antes de concentrar a investigação no tunisiano, apesar de ter encontrado um documento de identidade do suspeito no caminhão envolvido no ataque. Os investigadores priorizaram um suspeito paquistanês que foi libertado no dia seguinte por falta de provas.

Além disso, Amri era conhecido pela polícia. Ele foi vigiado durante grande parte deste ano, principalmente em Berlim, onde se suspeitava que poderia estar preparando um atentado e um roubo para obter armas automáticas. Em setembro, o Ministério Público abandonou a investigação. Apesar de o pedido de refúgio feito pelo suspeito ter sido rejeitado, a Tunísia rejeitou recebê-lo de volta.

Segundo o jornal The New York Times, o suspeito também era monitorado pelas autoridades americanas por ter entrado em contato, ao menos uma vez, com o EI e por ter pesquisado sobre fabricação de explosivos na internet. 

Apesar de todas as informações, o tunisiano foi deixado em liberdade, aparentemente, por uma falta de coordenação entre as diferentes esferas do governo alemão. Ele foi vinculado durante meses a notórios clérigos e movimentos que incentivam o jihadismo.

“Um fracasso no procedimento de expulsão”, afirmou nesta quinta-feira, na primeira página, o jornal alemão Bild, enquanto o conservador Die Welt citou uma “falha” generalizada. “As autoridades tinham ele na mira e, mesmo assim, ele conseguiu desaparecer”, afirmou o site da revista Der Spiegel. Para o jornal Darmstädter Echo, um dos problemas é a grande quantidade de níveis de poder do Estado alemão. “Por que uma pessoa como ele conseguiu brincar de gato e rato com as autoridades responsáveis pela deportação?”, questionou a publicação. 

Origem. O ministro do Interior alemão, Thomas de Maizière, disse que investigadores encontraram as impressões digitais de Amri e acrescentou que há uma “alta probabilidade” de ele ser o motorista foragido.

Dois irmãos do suspeito, Walid e Abdelkader, acreditam que ele tenha se radicalizado após contato com extremistas islâmicos nos quatro anos em que esteve preso na Itália. Ele chegou à Europa em uma leva de imigrantes que cruzou o Mar Mediterrâneo. “Quando ele partiu da Tunísia ele era uma pessoa normal. Ele bebia álcool e não rezava”, contou Walid à rede de televisão. “Ele não tinha crenças religiosas. Meu pai, meu irmão e eu rezávamos e ele não.”

“Ele não nos representa, nem a nossa família”, disse Abdelkader ao canal Sky News Arabia. “Ele foi para a prisão com uma mentalidade e quando saiu tinha outra totalmente diferente.” / AFP e REUTERS

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