Autoridades americanas se encontram com enviados de Khadafi

Departamento de Estado diz ter transmitido mensagem 'clara e firme' pedindo a saída de Muamar Khadafi do poder.

BBC Brasil, BBC

18 Julho 2011 | 22h45

Autoridades dos Estados Unidos tiveram uma reunião presencial com representantes do líder líbio, Muamar Khadafi, confirmou o Departamento de Estado americano nesta segunda-feira.

Washington informou que as autoridades americanas reforçaram, durante o encontro no último final de semana, o desejo pela saída de Khadafi do poder, mas não participaram de nenhuma negociação.

Um porta-voz disse que o governo líbio apoia o diálogo com os EUA, mas só se as conversas não tiverem precondições.

Também nesta segunda-feira, rebeldes líbios disseram ter expulsado as tropas governamentais da maior parte da cidade de Brega.

O governo da Líbia negou, insistindo que ainda tem o controle da cidade, considerada chave por conta de suas refinarias de petróleo.

Mensagem 'clara e firme'

Em comunicado, o Departamento de Estado dos EUA disse que autoridades transmitiram aos enviados líbios uma mensagem "clara e firme" de que defendem a renúncia de Khadafi.

"A mensagem era simples e não-ambígua: Khadafi tem de deixar o poder para que um novo processo político possa começar, refletindo as vontades e as aspirações do povo líbio", informou o comunicado.

O governo americano não divulgou o local onde ocorreram as conversas, mas a Líbia informou que o encontro aconteceu no sábado, na Tunísia.

Moussa Ibrahim, porta-voz do governo líbio, elogiou o diálogo como um passo importante para "restaurar as relações" com os EUA.

"Apoiamos qualquer diálogo e iniciativa de paz, desde que eles não decidam o futuro da Líbia de fora para dentro", disse ele a jornalistas em Trípoli. "Discutiremos tudo, mas não condicionem seus diálogos de paz. Deixem que os líbios decidam seu futuro."

Washington disse que Jeffrey Feltman, secretário-assistente de Estado para temas de Oriente Próximo, e o embaixador americano na Líbia, Gene Cretz, estiveram envolvidos nas conversas. Mas não está claro quem representou a Líbia no processo.

Autoridades americanas afirmaram que não há novos encontros previstos, "porque a mensagem já foi transmitida".

Ofensiva

Forças americanas estão envolvidas na ofensiva aérea na Líbia desde que a ONU aprovou, em março, uma resolução autorizando intervenção militar para proteger civis dos ataques promovidos pelas tropas de Khadafi.

O comando das operações está com a Otan (aliança militar ocidental), que têm alvejado as tropas do regime perto de Brega nos últimos dias.

A cidade, que fica a 750 km de Trípoli, tem mudado de mãos desde o início do conflito líbio, em fevereiro.

Correspondentes dizem que a eventual derrubada governamental em Brega seria uma importante conquista para a oposição a Khadafi, num momento em que o conflito líbio parece ter chegado a um impasse.

Ainda nesta segunda, o presidente da África do Sul, Jacob Zuma, que lidera os esforços de mediação do conflito por parte da União Africana, disse que a Líbia precisa de um governo democrático.

Mas ele acrescentou que os líbios têm de decidir seu próprio destino.

Ao mesmo tempo, a Rússia se recusou a reconhecer os rebeldes líbios como representantes legítimos, dizendo que tal medida aumentaria a escalada do conflito em direção a uma guerra civil.

Recentemente, os EUA seguiram diversos países, como França e Itália, e reconheceram a liderança rebelde como representante legítimo do poder na Líbia.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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