Autoridades confirmam 46 mortos em atentado na Chechênia

Militantes suicidas detonaram nesta sexta-feira os explosivos contidos em dois caminhões, num complexo governamental checheno, deixando um saldo de pelo menos 46 mortos e 70 feridos. As explosões devastaram a maior parte do edifício do governo pró-Moscou da Chechênia e representaram um duro golpe nos esforços do presidente Vladimir Putin para retratar a república separatista como um local que vai retornando à normalidade, após mais de três anos de combates entre guerrilheiros separatistas e militares russos. O governo vinha tentando reforçar seu argumento, pressionando refugiados a voltar para casa e levando jornalistas a Grozny para visitas cuidadosamente controladas, para mostrar o andamento dos projetos de reconstrução. Não houve reivindicação imediata da autoria do atentado contra Grozny, mas oficiais russos acusaram tanto o presidente rebelde Aslan Maskhadov quanto o senhor da guerra Shamil Basayev. Maskhadov rompeu fileiras com Basayev no mês passado, depois de o último ter assumido seu envolvimento na tomada de reféns em um teatro de Moscou, promovida por extremistas chechenos. A crise terminou com a morte de 41 seqüestradores e 129 reféns. Viktor Shkareda, vice-diretor do Ministério de Situações Emergenciais no sul da Rússia, confirmou a morte de 46 pessoas e a existência de 70 feridos. Há relatos de que equipes de resgate vinham recuperando partes de corpos mutilados nos escombros do complexo governamental. Apesar de os soldados russos terem tomado o controle de Grozny no início de 2000, a maior parte da cidade está em ruínas, devido aos intensos ataques aéreos e de artilharia. Os rebeldes infiltraram-se na cidade e realizam ataques quase diários contra as forças russas. As explosões ocorreram por volta das 14h30 locais, pouco após uma tradicional parada para almoço. Imran Vagapov, inspetor-chefe na Chechênia, comentou que o edifício governamental estava repleto de funcionários e visitantes. De acordo com funcionários, cerca de 200 pessoas trabalham diariamente no local. Entre as pessoas gravemente feridas estão o presidente do Conselho de Segurança Nacional, Rudnik Dudayev, e a vice-primeira-ministra Zina Batyzheva, informou a agência de notícias Interfax. O chefe da administração chechena pró-Moscou, Akhmad Kadyrov, tem gabinete no local atacado, mas estava em Moscou no momento do atentado. Kadyrov, apesar de criticar a ação militar russa, é considerado traidor pelos rebeldes, assim como outros chechenos que trabalham em conjunto com as autoridades russas. Relatos iniciais dão conta de que os veículos utilizados no atentado eram um caminhão pesado Kamaz e um caminhão leve UAZ. De acordo com o Ministério de Situações Emergenciais, a força combinada das explosões é equivalente a meia tonelada de TNT. As explosões abriram uma cratera de seis metros de diâmetro, destruíram uma das alas do edifício e danificaram boa parte da estrutura principal do prédio, informou o ministério. Kadyrov relatou à Interfax que um dos caminhões rompeu os três cordões de segurança em torno do local e pediu a abertura de uma investigação sobre os guardas que trabalhavam naquele momento. "Como esses terroristas conseguiram atravessar três cercas em torno do prédio? As ações dos guardas devem ser investigadas", sugeriu Kadyrov, citado pela Interfax.

Agencia Estado,

27 Dezembro 2002 | 17h21

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