AFP PHOTO / JOSEPH EID
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Autoridades curdas pedem à Rússia que freie ofensiva turca na Síria

Em Afrin, milhares de pessoas marcharam com imagens de vítimas da operação militar das forças da Turquia; curdos acusam Moscou de 'cumplicidade' na morte de civis

O Estado de S.Paulo

05 Fevereiro 2018 | 11h52

AFRIN, SÍRIA - Autoridades de Afrin exigiram no domingo 4 à Rússia que atue para frear a ofensiva turca contra essa região curda do norte da Síria, acusando Moscou de “cumplicidade” na morte de dezenas de civis.

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Na cidade de Afrin, milhares de pessoas marcharam pelas ruas para expressar sua indignação, carregando imagens de vítimas da operação militar turca.

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Ancara e seus aliados lançaram no dia 20 de janeiro, no noroeste da Síria, a operação chamada “Ramo de Oliveira” contra as Unidades de Proteção Popular (YPG), uma força paramilitar aliada dos EUA na luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI), qualificada pela Turquia como “terrorista”.

“Pedimos sobretudo à Rússia que deixe de apoiar o Estado turco terrorista”, escreveram as autoridades locais do enclave sírio em um comunicado. Os curdos têm autonomia de fato no norte do país em guerra.

Moscou “tem responsabilidade nos massacres perpetrados pelo Estado turco fascista”, acrescentaram eles. A Rússia, que intervém desde 2015 no conflito sírio para respaldar o regime de Bashar Assad, mantinha tropas na região de Afrin, mas as retirou quando foi iniciada a ofensiva turca. As YPG e as autoridades locais consideram essa medida como uma aprovação tácita da operação de Ancara.

Em seu comunicado, os responsáveis curdos também pediram aos EUA, à União Europeia (UE), à ONU e à coalizão internacional que combate os jihadistas que "intervenham imediatamente”.

Vários partidos curdos, entre eles o Partido da União Democrática (PYD) - braço político das YPG - firmaram em outro comunicado um pedido à Rússia e aos EUA para que coloquem um fim na ofensiva turca.

Ainda assim, eles exigiram ao governo sírio que assuma suas responsabilidades para proteger “as fronteiras e os cidadãos” sírios.

A Turquia nunca aceitou a autonomia de fato estabelecida pelos curdos no norte da Síria, já que teme que sua própria comunidade curda tenha planos similares. Segundo o governo turco, o objetivo de sua ofensiva é garantir a segurança de sua fronteira meridional.

O Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH) indicou que ao menos 68 civis, entre eles 21 crianças, morreram nos bombardeios turcos realizados durante essa operação. Mais de uma centena de rebeldes pró-turcos e um número equivalente de membros das YPG morreram nos confrontos, de acordo com o OSDH.

A Turquia anunciou a morte de 14 de seus soldados desde o início das operações. Sete civis morreram no território turco, perto da fronteira com a Síria, vítimas de foguetes das YPG, segundo um balanço divulgado pelas autoridades turcas.

Ajuda

Em uma praça de Afrin, jovens voluntários curdos armados com fuzis têm se juntado para resistir à ofensiva turca. Alguns deles nunca utilizaram uma arma, mas são dezenas os que estão preparados para iniciar ou fortalecer as equipes médicas.

“Afrin é a terra onde cresci, como meus pais e meus avós. É um dever combater”, disse Asmaa, de 19 anos, estudante de jornalismo. Ela já chegou a faltar às aulas para participar dos conflitos.

Dezenas de estudantes ou funcionários responderam ao chamado de “mobilização geral” lançado pela administração semiautônoma curda logo que a ofensiva foi iniciada pela Turquia. “Hoje não me considero uma estudante, sou uma combatente”, afirmou Asmaa.

Ferhad Akid, estudante de agronomia de 21 anos integra a equipe de voluntários. “Os aviões turcos bombardearam Afrin, civis e nossas forças”, disse ele. “Nos comprometemos, ao preço de nossas vidas, a proteger nossa região e nosso povo.” / AFP

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