AFP PHOTO / Saleh ABO GHALOUN
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Autoridades curdas pedem que população se mobilize para defender região no norte da Síria

Conselho de Segurança da ONU se reuniu na segunda-feira para discutir a escalada da violência, mas não emitiu uma condenação

O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2018 | 11h01

BEIRUTE - As autoridades locais curdas decretaram nesta terça-feira, 23, uma “mobilização geral” para defender o enclave de Afrin, no norte da Síria, e pedem aos cidadãos que “se armem” no quarto dia da ofensiva lançada pela Turquia.

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“Decretamos a mobilização geral e convidamos todos os filhos do nosso povo a defender Afrin”, afirma um comunicado publicado pelas autoridades curdas de Jazira, no nordeste da Síria.

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Os EUA pediram à Turquia moderação em sua ofensiva. "A violência em Afrin altera o que até agora era uma zona relativamente estável na Síria. Pedimos à Turquia que dê demonstrações de moderação em suas operações militares e em sua retórica", declarou o secretário de Defesa americano, Jim Mattis, aos jornalistas que o acompanham em sua viagem pela Ásia.

A Turquia continuava nesta manhã a bombardear uma milícia curda no norte do território sírio. Confrontos violentos eram registrados na região de Afrin, fortaleza das Unidades de Proteção do Povo (YPG), milícia curda considerada “terrorista” por Ancara, mas apoiada por Washington, de acordo com o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Ao lançar no sábado a ofensiva batizada de "Ramo de oliveira", o Exército turco abriu uma nova frente no complexo conflito sírio, aumentando as preocupações e críticas dos EUA e da União Europeia (UE).

Desde o início da operação, quase 60 combatentes das YPG e de grupos rebeldes pró-Ancara morreram, além de 24 civis, a maioria deles em ataques aéreos turcos, de acordo com o OSDH.

Um soldado turco também foi morto na segunda-feira nos confrontos. Ele foi enterrado em Ancara, na presença de líderes turcos, liderados pelo presidente Recep Tayyip Erdogan. “Graças a Deus, sairemos vitoriosos desta operação, junto ao nosso povo e ao Exército Livre da Síria", disse Erdogan.

Os combates se concentravam na fronteira turco-síria, particularmente no norte e sudoeste de Afrin. "Os confrontos são violentos, mas a frente é muito menor do que no dia anterior", indicou Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

A ofensiva militar é acompanhada de uma repressão na Turquia contra internautas suspeitos de "propaganda terrorista". Cerca de uma centena de pessoas foram presas desde segunda-feira, e manifestações contra a operação estão proibidas.

O Conselho de Segurança da ONU se reuniu na segunda-feira para discutir a escalada da violência na Síria, mas não emitiu uma condenação. A UE declarou, por sua vez, que estava "extremamente preocupada", enquanto o Catar, próximo de Ancara, expressou seu apoio à ofensiva. / AFP

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