Eve Edelheit/The New York Times
Eve Edelheit/The New York Times

Autoridades eleitorais dizem não haver evidência de fraude nas eleições americanas

Comunicado confirma reportagem, um dia antes, do 'New York Times', segundo a qual autoridades de ambos os partidos em todos os Estados americanos afastaram a possibilidade de fraude 

Redação, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 20h50

WASHINGTON - Autoridades eleitorais americanas informaram em um comunicado nesta quinta-feira, 12, "não haver evidência" de que votos foram perdidos ou alterados, ou que os sistemas de votação tenham sido corrompidos nas eleições presidenciais. O comunicado confirma reportagem, um dia antes, do New York Times, segundo a qual autoridades de ambos os partidos em todos os Estados americanos afastaram a possibilidade de fraude

"As eleições de 3 de novembro foram as mais seguras da história americana", informaram, em um comunicado, as autoridades nacionais e estaduais responsáveis por dar segurança ao processo eleitoral, contradizendo as alegações dos republicanos e da Casa Branca. "Não há evidência de que qualquer sistema de votação tenha deletado ou perdido votos, tenha alterado votos ou que tenha sido comprometido de alguma forma."

Nos últimos dias, o presidente, membros do seu governo, congressistas republicanos e seus aliados de direita alegaram falsamente que a vitória na eleição foi roubada de Trump, recusando-se a aceitar os resultados indicando o democrata Joe Biden como vencedor. Mas o alto escalão das autoridades eleitorais de todo os EUA disse em entrevistas e declarações que o processo foi um notável sucesso, apesar do comparecimento recorde e as complicações de uma perigosa pandemia.

O New York Times entrou em contato com os escritórios das principais autoridades eleitorais de cada Estado na segunda e na terça-feira para perguntar se havia suspeitas ou evidências de votação ilegal. As autoridades de 45 Estados responderam diretamente ao Times. Em quatro dos demais Estados, o Times falou com outras autoridades relevantes ou localizou comentários públicos dos secretários de Estado; em nenhum lugar foram apontados problemas eleitorais substanciais.

O comunicado foi emitido pelo Conselho Governamental de Coordenação de Infraestrutura Eleitoral, grupo público-privado subordinado ao principal órgão de segurança eleitoral federal, a Agência de Segurança de Infraestrutura e Cibernética (Cisa). Ele foi assinado pelos chefes da Associação Nacional de Diretores Eleitorais Estaduais e da Associação Nacional de Secretários de Estado - autoridades que administram as eleições em nível estadual - e pelo presidente da Comissão de Assistência Eleitoral dos EUA.

O documento saiu horas depois de Trump compartilhar no Twitter uma afirmação infundada de que um fabricante de equipamentos eleitorais "deletou" 2,7 milhões de votos para ele em todo o país e transferiu centenas de milhares de votos dele para Biden na Pensilvânia e em outros Estados. Essa foi a mais recente de uma série de alegações falsas que Trump e os republicanos já fizeram para negar a vitória de Biden.

A empresa, Dominion Voting Systems, e o Departamento de Estado da Pensilvânia negaram categoricamente as afirmações de Trump.

A declaração das autoridades de segurança eleitoral também surgiu em meio a relatos de que Trump poderia demitir o diretor da Cisa, Chris Krebs, que fez um grande esforço para reprimir os relatos insustentáveis de fraude que surgiam enquanto os votos eram contados.

Apesar disso, rumores e teorias de conspiração sobre uma votação corrompida que teria "roubado" Trump inundaram a internet, e os republicanos e a campanha de Trump entraram com vários processos em todo o país alegando irregularidades. Até agora, nada foi comprovado na Justiça.

O comunicado afirma que as autoridades eleitorais de todo o país estão "revisando e verificando" seus resultados estaduais e locais antes de certificar os números. "Quando os Estados têm votações acirradas, muitos recontam as cédulas. Todos os Estados com resultados apertados na disputa presidencial de 2020 têm registros em papel de cada voto, o que permite voltar e contar cada cédula, se necessário", explicaram. /AFP e NYT

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