Shannon Stapleton/Reuters
Shannon Stapleton/Reuters

Autoridades em alerta para novos ataques em todo país antes da posse de Biden, diz TV

Secretário do Exército dos EUA informou a um membro da Comissão dos Serviços Armados da Câmara que ao menos 25 casos de terrorismo doméstico foram abertos como resultado da invasão do Capitólio no dia 6 

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de janeiro de 2021 | 18h54

WASHINGTON - Um memorando interno do FBI está alertando sobre planos de protestos armados em todas as 50 capitais de Estado dos Estados Unidos nos dias antes da posse do presidente eleito Joe Biden, segundo noticiou a TV Fox News, citando uma fonte da polícia federal americana. Segundo a TV, os ataques poderiam ocorrer antes, no dia ou depois da posse. No dia 6, uma multidão de radicais pró-presidente Donald Trump invadiu o Congresso quando ele se preparava para certificar a vitória de Biden. Ao menos cinco pessoas morreram. 

Ainda segundo a Fox News, o FBI recebeu mais de 40 mil itens de mídia digital, incluindo vídeos e fotos, de testemunhas sobre a invasão ao Capitólio. Fontes disseram que agentes do FBI visitaram possíveis extremistas antes do dia 6 pedindo que eles não viajassem para Washington. A TV afirmou que não estava claro quantos deles foram contatados. 

No domingo, o secretário do Exército dos EUA, Ryan McCarthy, informou a um membro da Comissão dos Serviços Armados da Câmara, o deputado Jason Crow, que ao menos 25 casos de terrorismo doméstico foram abertos como resultado do ataque do dia 6 ao Capitólio. 

Crow disse ter ouvido de McCarthy que o Pentágono estava ciente de "outras possíveis ameaças representadas por supostos terroristas" nos dias antes e até mesmo na posse de Biden. 

“Armas de cano longo, coquetéis molotov, dispositivos explosivos e algemas foram recuperados, o que sugere que um desastre maior foi evitado por pouco”, disse Crow, um ex-patrulheiro do Exército, em um comunicado sobre sua conversa com McCarthy, no domingo.

McCarthy garantiu a ele que o Pentágono estava trabalhando com as forças de segurança locais e federais para coordenar os preparativos de segurança depois do que ele descreveu como “relatórios deficientes de ameaças da lei” na quarta-feira passada.

Cinco pessoas morreram no ataque, incluindo um policial. Um segundo policial em resposta ao ataque morreu depois de folga, mas a causa não foi formalmente informada.

Crow disse que levantou sérias preocupações sobre relatos de que militares da ativa e da reserva estavam envolvidos no ataque, e pediu a McCarthy para acelerar as investigações e tribunais marciais, e garantir que nenhuma tropa a ser enviada em 20 de janeiro simpatizasse com os militantes domésticos.

McCarthy concordou em tomar “medidas adicionais”, disse Crow.

Separadamente, o Departamento de Justiça informou em um comunicado que Larry Rendell Brock, do Texas, foi preso no domingo e recebeu uma acusação de invasão violenta e conduta desordenada no Capitólio. O governo alegou que Brock foi identificado como um dos indivíduos que foi fotografado segurando uma algema usada pela polícia.

Eric Gavelek Munchel, do Tennessee, também foi acusado de invasão e conduta desordenada no Capitólio. Os dois homens foram vistos em imagens da câmera do Senado. 

Pentágono enviará 15 mil agentes 

Ainda nesta segunda-feira, o Pentágono anunciou ter autorizado o envio de 15 mil membros da Guarda Nacional para a posse do democrata. Já há 6,2 mil agentes da Guarda operando em Washington e está previsto um total de 10 mil no próximo fim de semana, enquanto outros 5 mil podem se juntar a eles no dia da posse, segundo o general Daniel Hokanson, chefe do Gabinete do Guarda Nacional do Departamento de Defesa.

Todos estarão munidos com equipamento anti-distúrbios e armas, mas até agora eles não foram autorizados a portá-las nas ruas da capital americana, explicou. Sua missão será apoiar a polícia local em comunicações, logística e segurança. Autorizar a Guarda Nacional a agir armada e a realizar prisões seria um "último recurso" se a situação de segurança sair do controle, disse Hokanson.

O Pentágono e a Guarda Nacional - força militar de reserva - foram criticados por uma resposta lenta na quarta-feira, quando milhares de extremistas pró-Trump sobrepujaram a corporação encarregada da segurança no Capitólio, sem pessoal suficiente ou preparação adequada. 

Porém, de acordo com funcionários do Pentágono, a Guarda Nacional foi convocada tarde e não tinha de imediato uma tropa de choque. "Eles não previram esse nível de violência", afirmou Hokanson.

Anteriormente, a prefeita de Washington, Muriel Bowser, antecipando a possibilidade de tensões em torno da posse de Biden, pediu à população que evitasse visitar a capital.

"Pedimos aos americanos que NÃO VENHAM a Washington DC para a 59ª posse presidencial em 20 de janeiro e, em vez disso, participem virtualmente", declarou ela./COM REUTERS e AFP 

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