BULENT KILIC / AFP
BULENT KILIC / AFP

Autoridades europeias vão à fronteira da Grécia com a Turquia para contornar crise de imigrantes

Negociações começam após presidente turco ameaçar 'invadir' Europa com imigrantes

Redação, O Estado de S.Paulo

03 de março de 2020 | 09h19

O alto escalão político da União Europeia (UE) está mobilizando na fronteira da Grécia com a Turquia nesta terça-feira, 3, para tentar conter a nova onda migratória que ameaça o Velho Continente. A tentativa de encontrar uma solução vem em meio ao aumento do fluxo de imigrantes para a Grécia - após a decisão da Turquia de abrir a fronteira para a Europa - e ao aumento da temperatura das críticas de chefes de estado europeus.

A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, viaja nesta terça até Alexandrópolis, departamento grego que faz fronteira com a Turquia, acompanhada pelos presidentes do Conselho Europeu, Charles Michel, e do Parlamento Europeu, David Sassoli, a fim de iniciar algum processo de negociação.

Já o chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, viaja para a Turquia com a missão de discutir com o governo de Recep Tayyip Erdogan a situação na província de Idlib, no noroeste da Síria. A intensificação dos combates em Idlib é uma das razões para o aumento do fluxo de refugiados para o lado turco da fronteira.

Além de Borrell, também integrará a missão o comissário europeu para Gestão de Crises, Janez Lenarcic. Em nota, a UE informou que a missão pretende discutir as "consequências humanitárias para a população civil na área do conflito na Síria e a respeito da situação dos refugiados sírios na Turquia."

A visita das autoridades europeias acontece em um momento de intensos combates entre as forças governamentais sírias e rebeldes apoiados por Ancara, e depois que o presidente turco ameaçou a UE com o envio de milhões de migrantes.

Ataque à Europa

Chefes de Estado europeus subiram o tom em resposta às ameaças do presidente Turco. O primeiro-ministro da Áustria, Sebastian Kurz, afirmou que as medidas adotadas por Erdogan são "um ataque da Turquia contra a União Europeia e contra a Grécia."

"É um ataque da Turquia contra a UE e contra a Grécia. Utiliza seres humanos para pressionar a Europa", declarou o governante.

O primeiro-ministro da Grécia, Kyariakos Mitsotakis, que dirige o país mais afetado pela crise migratória no momento, disse esperar um "apoio firme" da União Europeia durante as reuniões desta terça-feira. Outras autoridades gregas, como o Ministro do Desenvolvimento, Adônis Georgiadis, classificam o movimento como uma "invasão". / AFP

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