Rick Loomis/Getty Images/via AFP
Rick Loomis/Getty Images/via AFP

Autoridades evitam classificar ataque a tiros em New Jersey como antissemita

Supermercado kosher em Jersey City foi alvo de tiros de dois suspeitos; seis pessoas morreram, incluindo os atiradores, um policial e três civis

Redação, O Estado de S.Paulo

11 de dezembro de 2019 | 20h16

NEW JERSEY, EUA - O tiroteio que matou seis pessoas em Jersey City, no Estado americano de New Jersey, na terça-feira, 10, teve como alvo uma loja kosher, como informou nesta quarta-feira, 11, o prefeito da cidade onde ocorreu o ataque.

A análise das câmeras de vigilância na rua deixa claro que os dois suspeitos que morreram no tiroteio "atingiram a loja kosher" de Jersey City, onde outros três civis morreram, escreveu o prefeito Steven Fulop em sua conta no Twitter. Um policial também foi morto no ataque. 

O detetive da polícia local Joseph Seals foi o primeiro a morrer depois de se aproximar dos dois suspeitos - um homem e uma mulher - pouco antes. Ambos estavam dentro de uma caminhonete em um cemitério da cidade, informou o procurador-geral de New Jersey, Gurbil Grewal, em entrevista coletiva.

Após atirarem no policial, por volta do meio-dia, os agressores dirigiram lentamente até um mercado kosher situado no bairro residencial de Greenville, estacionaram diante do estabelecimento com fuzis de assalto e começaram a atirar, revelou Grewal.

No local estavam quatro pessoas e os atiradores mataram a mulher do proprietário, Mindel Ferencz, 32 anos, um funcionário latino, Miguel Douglas, 49, e um cliente, Moshe Deutch, 24. Um quarto cliente conseguiu escapar, apesar de ferido, disse Grewal.

Segundo o site Chabad, dirigido por judeus ortodoxos, o proprietário do mercado kosher havia saído para rezar em uma sinagoga próxima à loja.

De acordo com o site, Mindel Ferencz tinha três filhos e Douglas era equatoriano.

Os suspeitos foram identificados por Grewal como David Anderson, 47 anos, e Francine Graham, 50.

Possível antissemitismo

A imprensa local revelou que Anderson é ligado aos "Israelitas Hebreus Negros" e já havia publicado comentários antissemitas e contra a polícia na Internet.

Grewal evitou relacionar o crime com antissemitismo, avaliando que há muita especulação e que até o momento não é possível determinar os motivos do ataque. Na terça-feira, as autoridades haviam afirmado que tratava-se de um crime relacionado ao tráfico de drogas. 

Tanto o FBI quanto o departamento de Álcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos estiveram presentes na cena do crime na terça. O chefe do FBI em New Jersey, Gregory Ehrie, revelou que na caminhonete roubada foi encontrada uma bomba de fabricação caseira "viável, que poderia ter explodido".

"O ódio e antissemitismo jamais terão lugar aqui em Jersey City, nunca terão lugar na nossa cidade", afirmou o prefeito Steven Fulop.

"Sou judeu e estou orgulhoso de viver em uma comunidade como #JerseyCity que sempre deu as boas-vindas a todos", disse o prefeito Fulop, sem indicar diretamente que foi um ataque antissemita.

"Um ataque contra nossa comunidade judaica ou qualquer outra comunidade (...) é um ataque contra os nove milhões de habitantes de New Jersey", declarou o governador Phil Murphy.

Fulop explicou que dois policiais que estavam a um quarteirão do armazém impediram que os suspeitos deixassem o local e ferissem mais civis.

Em seguida, centenas de agentes fortemente armados, alguns à paisana e outros uniformizados, chegaram rapidamente ao local, transformando a área residencial de Jersey City em uma zona de guerra durante quatro horas. Dois policiais foram baleados, além de um civil que passava.

Segurança reforçada

O prefeito de Nova York, Bill de Blasio, informou que a polícia de Nova York também está em "alerta máximo" e que agentes foram enviados "para proteger os principais locais da comunidade judaica".

Nova York abriga a maior comunidade judaica fora de Israel.

"Tragicamente, isso confirma que um padrão crescente de antissemitismo violento se tornou uma crise para nossa nação. E agora essa ameaça chegou aos portões da cidade de Nova York", alertou de Blasio em comunicado.

"A história nos ensina o quão perigoso é esse tipo de padrão de ódio. Precisamos parar o antissemitismo de forma agressiva e decisiva. Convoco todos os nova-iorquinos a se unirem para eliminar essa ameaça", afirmou.

Os incidentes antissemitas nos EUA se mantiveram em níveis próximos ao recorde em 2018, quando foram registradas duas vezes mais agressões físicas contra judeus do que em 2017, de acordo com um relatório da Liga Anti-Difamação publicado em abril.

Em outubro de 2018, um americano matou 11 pessoas em uma sinagoga em Pittsburgh, na Pensilvânia, o maior ataque à comunidade judaica nos Estados Unidos. / AFP e REUTERS         

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