AFP PHOTO / ALFREDO ESTRELLA
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Autoridades mexicanas exumam 116 corpos enterrados em uma fossa comum

Processo pode durar cinco dias; ativistas duvidam da veracidade do registro oficial e acreditam na existência de exumações irregulares

O Estado de S. Paulo

24 Maio 2016 | 08h45

TETELCINGO - Autoridades mexicanas e peritos independentes iniciaram na segunda-feira a exumação de mais de uma centena de cadáveres enterrados por oficiais em uma fossa de Morelos, no centro do país, de onde já haviam sido retirados outros corpos não entregues a parentes.

O Ministério Público anunciou que 116 cadáveres foram enterrados nessas covas em 28 de março de 2014, e localizadas em um cemitério do povoado de Tetelcingo, no município de Cuautla, Estado de Morelos, vizinho à Cidade do México.

Ativistas duvidam, porém, da veracidade do registro oficial e acreditam na existência de exumações irregulares. O fato é que as autoridades contam com processos de investigação de apenas 88 dos corpos na cova.

"Reconhecemos a luta incansável dos parentes e das organizações das vítimas de mais de 30 mil desaparecidos no país, que se afunda em barbárie", disse o reitor da Universidade Autônoma do Estado de Morelos (UAEM), Alejandro Vera.

Ele é o criador de um programa de ajuda a pessoas que procuram seus entes desaparecidos, no contexto da guerra contra o tráfico no México. A Organização das Nações Unidas (ONU) e outras organizações civis estimam que exista, ao menos, 20 mil desaparecidos no país.

A exumação, que pode durar cinco dias, foi iniciada pelo promotor de Morelos, Javier Pérez, e por Maria Concepción e Amalia Hernández, mãe e tia de Oliver Wenceslao Navarrete Hernández. O rapaz foi sequestrado em 23 de maio de 2013, em Cuautla. Dezenas de parentes de outros desaparecidos também estavam presentes.

Encontrado em junho de 2013 em um barranco e logo identificado por sua família, Navarrete Hernández não pôde ser sepultado por insistência da promotoria em retê-lo para perícia. Algum tempo depois, porém, o cadáver desapareceu dos registros.

Após três meses de "muitas denúncias e muitas batalhas", um funcionário revelou que Oliver havia sido enterrado em Tetelcingo "com assinaturas de autorização falsas".

O cadáver estava debaixo de dezenas de corpos, "violando protocolos internacionais, que indicam que as covas comuns de cadáveres devem separar um corpo do outro, no caso de eventuais pedidos", falou o diretor do Programa de Atenção a Vítimas da UAEM, Roberto Villanueva. /AFP

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