Autoridades mexicanas intensificam luta contra narcotráfico

O Governo do México deu um duro golpe no tráfico de drogas, nesta sexta-feira, com a apreensão US$ 205 milhões, uma das maiores da América Latina, numa semana em que o crime organizado aumentou sua sangrenta ofensiva contra a Polícia e matou vários agentes."É o maior confisco, não só do México mas talvez do mundo. Estamos atuando com determinação. Não quero imaginar quantos jovens essa quadrilha envenenou com a sua droga. Mas posso garantir que não fará mais isso", disse o presidente mexicano, Felipe Calderón, ao saber da apreensão.A Polícia deteve seis homens e uma mulher. Eles faziam parte de um cartel internacional que importava pseudoefedrina, usada para a produção de metanfetaminas, vinda da Índia.Os agentes apreenderam US$ 205,6 milhões, ? 200 mil (US$ 254,5 mil), e 157.500 pesos mexicanos (US$ 14,3 mil), além de armas, carros de luxo e equipamentos para a fabricação de drogas sintéticas.Em declarações à "W-Rádio", o procurador-geral, Eduardo Medina Mora, disse que o grupo formava "um grande cartel", não "em termos de número de integrantes, mas sim em poder econômico e influência". Para ele, graças à operação a quadrilha "foi severamente afetada". O seu líder, porém, ainda está foragido.Um aspecto que chamou a atenção foi a localização do centro de produção de drogas, no sofisticado bairro de Lomas de Chapultepec, a poucas quadras da residência presidencial e do Ministério da Defesa."Antes os traficantes na Cidade do México se escondiam nos bairros pobres. Mas nos últimos dois anos eles têm procurado lugares onde vive gente de alto nível econômico", disse o analista José Reveles.A razão, opinou, é que assim eles conseguem "um maior nível de privacidade" e seus carros de luxo não chamam a atenção. Reveles detectou também uma mudança de rumo no negócio do narcotráfico, que está preferindo a produção de drogas sintéticas e abandonando a cocaína. O material pode ser obtido na indústria farmacêutica e o processo de elaboração é mais simples.Com o barateamento dos custos de produção e de venda, é possível chegar a um público mais amplo, nos Estados Unidos e no México. A semana foi marcada pela ação violenta do crime organizado contra a Polícia em vários estados mexicanos.Na cidade de Monterrey foram mortos a tiros um comandante e uma policial. Foram 10 mortos na localidade nos últimos 10 dias, cinco deles policiais.Ontem, um corpo decapitado apareceu na porta da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de Tabasco, no Golfo do México. No balneário de Cancún foram assassinadas três pessoas durante a semana. Segundo a imprensa, entre na segunda-feira e terça-feira últimos as vítimas do crime organizado no país ascenderam a 31, das quais nove foram policiais.Desde que assumiu a Presidência do México, em dezembro de 2006, Felipe Calderón tem feito do combate ao crime organizado a sua bandeira. O Governo postou 30 mil policiais e militares em vários estados considerados focos do narcotráfico. Além disso, extraditou para os Estados Unidos vários chefes de quadrilhas.Esta semana Calderón pediu ao presidente dos EUA, George W. Bush, mais colaboração na luta contra o narcotráfico.

Agencia Estado,

17 de março de 2007 | 00h25

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