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Autoridades morrem em atentado na Síria

Bomba explodiu durante encontro de ministros no prédio da Segurança Nacional

estadão.com.br,

18 de julho de 2012 | 08h28

Texto atualizado às 12h03

BEIRUTE - Um ataque atingiu o prédio da Segurança Nacional da Síria nesta quarta-feira, 18, na capital do país, Damasco. O ousado atentado contra o centro de poder do regime do presidente Bashar Assad matou o chefe da unidade criada para combater a rebelião síria, o ministro e o vice-ministro da Defesa do país. Outras autoridades ficaram feridas. A polícia isolou a área e jornalistas foram proibidos de aproximar-se do local.

O general Assef Shawkat era o vice-ministro da Defesa da Síria. Ele estava entre as figuras mais temidas do círculo próximo a Assad. Ele é casado com a irmão mais velha do presidente, Bushra. A bomba atingiu o prédio da Segurança Nacional durante uma reunião dos ministros de gabinete e autoridades de segurança, afirma a TV estatal.

O ministro da Defesa, Dawoud Rajha, de 65 anos, ex-general do Exército, era o mais graduado oficial cristão do governo sírio. Assad o indicou para o posto no ano passado. Após a morte dele, o governo designou Fahd Jassim al Farich como novo ministro da Defesa.

O general Hasan Turkmeni, chefe da unidade de crise criada para combater a rebelião síria, também morreu no ataque, de acordo com o Observatório Sírio para Direitos Humanos (OSDH), com sede em Londres.

A emissora de TV estatal disse que alguns oficiais ficaram seriamente feridos e depois reportou a morte dos ministros.

O chefe de Segurança Nacional do país, Hisham Bekhtyar, está em estado crítico e passa por cirurgia.

O ataque

O atentado ocorreu durante uma reunião de ministros de gabinete e autoridades de segurança na sede da Segurança Nacional, em Damasco.  O Exército da Síria se comprometeu a perseguir os autores do ataque, para eliminá-los e "limpar a pátria de maldade", de acordo com comunicado lido na rede de televisão oficial.

O Exército Livre Sírio (ELS), de oposição ao governo de Bashar al Assad, reivindicou a autoria do atentado contra a sede da Segurança Nacional, em Damasco, que provocou a morte do ministro da Defesa, general Dawoud Rajiha, e do também general Asef Shaukat, vice-ministro da pasta e cunhado do presidente do país.

Um dos organizadores do ataque, Muayed al Zouabi, explicou que a ação foi realizada em coordenação com agentes de segurança do edifício governamental e com um cozinheiro da sede. Zouabi disse que foi colocado veneno no café da manhã dos participantes de um encontro de lideranças políticas e de segurança - entre elas o ministro e o cunhado de Assad. Quando se sentiram mal, chamaram uma ambulância, que na verdade era um carro-bomba enviado pelo ELS.

O ataque faz parte da chamada operação "Vulcão de Damasco, Terremoto da Síria", lançada na capital nos últimos dias e que foi desenvolvida pela Brigada do Islã, pertencente ao ELS, afirmou Zouabi.

Violência

A capital é palco de quatro dias seguidos de confrontos entre forças do governo e rebeldes, que tentam derrubar o regime através da força. Os combates são um desafio sem precedentes ao domínio do governo. Baseado em Damasco, o ativista Omar al-Dimashki afirmou que a Guarda Republicana cerca a área próxima ao hospital Al-Shami, para onde os feridos foram levados.

Em meio ao aumento da violência na Síria, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) deve votar ainda nesta quarta-feira uma nova resolução que visa pressionar o regime sírio a cooperar com um plano de paz.

A Rússia, no entanto, permanece em desacordo com os Estados Unidos e seus aliados europeus. Moscou é veementemente contra qualquer menção ao Capítulo 7 da Carta da ONU, que poderia eventualmente permitir o uso de força para encerrar o conflito.

Além da repressão do governo, rebeldes estão lançando ataques cada vez mais mortais contra alvos do regime, e vários ataques suicidas ocorridos neste ano sugerem que a Al-Qaeda ou outros grupos extremistas juntaram-se à luta. Ativistas estimam que mais de 17 mil pessoas foram mortas desde que a revolta começou, em março de 2011.

Com Agências de Notícias

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