Autoridades mostram que Perón não foi tirado do caixão

Quando tudo indicava que descansaria para sempre, o corpo do general Juan Domingo Perón - protagonista de dois funerais e um enterro clandestino - foi alvo mais uma vez da persistente obsessão por cadáveres dos argentinos. O caixão foi reaberto nesta segunda-feira pela segunda vez em uma semana, para que se comprovasse que o ex-presidente, morto há 32 anos, permanecia no mesmo lugar. A verificação foi feita pelas autoridades competentes e por representantes da família e da funerária responsável pelo funeral. Nos últimos dias, rumores indicavam que o caixão teria sido trocado, e o que se encontra no recém-inaugurado mausoléu na cidade de San Vicente estaria vazio. "Não há dúvida. É o cadáver de Perón", constatou Humberto Linares Fontaine, representante da ex-presidente María Estela Martínez de Perón, a Isabelita, viúva de Perón. Linares viu o rosto ressecado do general-presidente através de um vidro blindado que cobre o corpo. Alfredo Péculo, representante da funerária responsável pelos dois funerais do general, negou a existência de um caixão paralelo e definiu a polêmica como "disparate". Segundo ele, todo o procedimento foi acompanhado pela Justiça. Para encerrar, lembrou uma das máximas de Perón: "A única verdade é a realidade." As especulações sobre a possível ausência do corpo surgiram após o tumultuado segundo funeral do caudilho, na semana passada. Na ocasião, assessores do governador da Província de Buenos Aires, Felipe Solá, especularam que um setor do peronismo poderia ter raptado o corpo, para tê-lo como trunfo ou protegê-lo dos confrontos entre facções peronistas ocorridos durante o funeral.O entourage de Solá considerava ter motivos para preocupar-se, já que os corpos de Perón e Evita (sua segunda esposa) foram profanados em várias ocasiões. O de Evita foi seqüestrado em 1955 e permaneceu em paradeiro desconhecido até 1971. O de Perón teve suas mãos amputadas em 1987. Elas jamais reapareceram.

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