AP Photo/Oded Balilty
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Autoridades muçulmanas mantêm boicote de fiéis à Esplanada das Mesquitas

Mesmo após Israel decidir retirar os detectores de metal instalados na entrada do local, muçulmanos pedem que um comitê técnico ‘avalie a situação e volte ao que era antes de 14 de julho'

O Estado de S.Paulo

25 Julho 2017 | 11h02

JERUSALÉM - As autoridades muçulmanas de Jerusalém pediram aos fiéis que continuem boicotando a Esplanada das Mesquitas, apesar da decisão de Israel de retirar os detectores de metal instalados nas entradas do terceiro lugar santo do Islã.

"Não haverá ingressos na Mesquita Al-Aqsa na Esplanada até que um comitê técnico do Waqf (organismo que administra os bens muçulmanos em Jerusalém Oriental) avalie a situação e ela volte ao que era antes de 14 de julho", segunda a nota divulgada.

O comunicado faz referência ao dia de um ataque contra policiais israelenses que levou Tel-Aviv a instalar novos dispositivos de segurança, entre eles os detectores de metal.

Há vários dias centenas de muçulmanos decidiram rezar no exterior da Esplanada como forma de protesto. Na segunda-feira, vários membros das forças da segurança de Israel vigiaram a entrada do lugar santo, conhecido pelos judeus como Monte do Templo.

“Não entrarei na Mesquita de Al-Aqsa até que a situação volte a ser como antes (...), sem câmeras de vigilância, sem registros, sem detectores de metais”, disse Widad Ali Nasser, uma fiel que estava próxima à entrada.

Os detectores de metais foram instalados no dia 16 de julho, dois dias depois da morte de dois policiais por três árabes israelenses que, segundo as autoridades, esconderam suas armas na Esplanada.

Jordânia

Encarregada de administrar os lugares santos muçulmanos em Jerusalém, a Jordânia anunciou, nesta terça-feira, 25, um acordo com Israel sobre o acesso à Esplanada das Mesquitas, informou uma fonte do governo.

Em paralelo, as autoridades jordanianas anunciaram que vão permitir o retorno para Israel de um diplomata israelense acusado de ter matado dois jordanianos. Jordânia e Israel firmaram um tratado de paz em 1994.

Na véspera, o rei da Jordânia, Abdullah II, havia pedido ao primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, para colocar um fim às novas medidas de segurança no acesso à Esplanada. 

Em uma conversa por telefone, Abdullah destacou "a necessidade de encontrar uma solução rápida e eliminar as causas da crise". No caso do diplomata israelense, as autoridades jordanianas pediram para interrogá-lo antes de sua volta para Israel. Segundo a Polícia jordaniana, o israelense foi atacado em casa por um jordaniano e reagiu, abatendo o agressor a tiros e acertando por acidente um outro civil que estava no local.

Turquia

O presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, pediu aos muçulmanos do mundo inteiro que "visitem" e "protejam" Jerusalém. "Gostaria de lançar um apelo a todos os meus concidadãos e aos muçulmanos do mundo inteiro: que todos aqueles que tiverem os meios (...) façam uma visita a Jerusalém, à Mesquita de Al-Aqsa", declarou Erdogan.

"Venham todos juntos proteger Jerusalém", insistiu. "Sob pretexto de lutar contra o terrorismo, trata-se de uma tentativa de roubar a Mesquita de Al-Aqsa dos muçulmanos", disse o presidente turco em um discurso aos deputados de seu partido, o islamista AKP. / AFP

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