Autoridades negam ocorrência de mortes em Oaxaca

A Procuradoria de Oaxaca, no sul do México, negou que houve mortes durante os conflitos registrados no sábado entre a polícia e os manifestantes que exigem a renúncia do governador do Estado, Ulises Ruiz. "Não se tem conhecimento de nenhuma pessoa morta durante a manifestação, de acordo com as diversas agências do Ministério Público e as buscas feitas por autoridades ministeriais nos diversos hospitais públicos e privados", indicou a procuradoria em comunicado. Na manhã de domingo, Florentino López, porta-voz da Assembléia Popular dos Povos de Oaxaca (APPO), denunciou a morte de seis manifestantes. López, no entanto, afirmou não ter provas sobre as mortes além do testemunho de alguns manifestantes. A nota informa também que "a Polícia Federal Preventiva (PFP) colocou 149 pessoas à disposição da Procuradoria Geral de Justiça", entre as quais se encontra um costarriquenho de origem cubana, de nome Jaime Valdés Álvarez. A procuradoria menciona em seu comunicado que 56 simpatizantes da APPO foram transferidos para o presídio de Miahuatlán, em Porfirio Díaz, cerca de 150 quilômetros ao sul de Oaxaca, e outros 93 estão na prisão de Tlacolula, em Matamoros. A presidente da Liga Mexicana pela Defesa dos direitos Humanos (Limeddh), Yesica Sánchez Maya, denunciou que "Oaxaca está em um estado de exceção", porque "já não há nenhuma lei, as pessoas foram detidas de maneira arbitrária e ilegal". Sánchez disse que as ocorrências das últimas horas mostram que "Ulises Ruiz não tem capacidade para governar". No domingo, Ruíz fez uma caminhada pelo centro de Oaxaca, pela primeira vez desde o início dos protestos sociais que pediram sua renúncia. Sob um forte esquema de segurança, Ruíz assegurou no final da caminhada que "a cidade de Oaxaca retorna a normalidade". A caminhada do governador teve a participação de vários titulares dos poderes Legislativo e Judicial estaduais, que também não puderam freqüentar a região durante meses. Segundo Ruíz, "não serão permitidas outras barricadas na cidade" como as que os manifestantes usavam para bloquear as ruas e manter suas posições. O conflito em Oaxaca começou em 22 de maio, detonado por uma greve dos professores por reivindicações salariais. A situação se radicalizou em 14 de junho, quando a polícia estadual fez uma tentativa fracassada de evacuar os espaços públicos ocupadas pelos professores, o que levou à criação da APPO.

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