Autoridades palestinas condenam ataque a praia de Gaza

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, condenou nesta sexta-feira a ofensiva de Israel por terra, mar e ar contra a Faixa de Gaza, que deixou mais de dez mortos e 40 feridos, em diversas gravidades."Não há lugar para dúvidas de que o ocorrido em Gaza é um sangrento massacre contra nosso povo, nossos civis, sem nenhum tipo de discriminação", disse Abbas. Além disso, o presidente da ANP pediu "à comunidade internacional, ao Conselho de Segurança da ONU e ao Quarteto para colocar fim à política de assassinatos de Israel".O porta-voz do Hamas, Sami Abu Zuhri, também condenou o ataque, afirmando que o bombardeio demonstra que "a ocupação sionista insiste em matar e não faz distinção entre crianças civis e insurgentes".O primeiro-ministro palestino, Ismail Hanieyeh, visitou os feridos em um hospital em Gaza e repudiou o bombardeio. "O que está acontecendo são crimes de guerra no sentido completo da palavra". Ele aproveitou a ocasião para pedir o fim da luta entre os palestinos. Reação israelenseO chefe das Forças Armadas de Israel, general Dan Halutz, ordenou o fim dos bombardeios contra a Faixa de Gaza e a abertura de uma investigação, após os bombardeios de artilharia israelense no litoral norte da Faixa de Gaza.As autoridades israelenses e palestinas divergem quanto ao número de vítimas do ataque. Segundo os militares israelenses, as circunstâncias do fato estão sendo investigadas, e a quantidade de mortos estaria entre 9 e 12 vítimas fatais, entre elas várias crianças, e dezenas de feridos. Fontes palestinas aumentam para 15 o número de mortos e quase 50 o de feridos.Militares israelenses explicaram que, em relação a um ataque da Força Naval contra a área costeira de Gaza, "sabemos com toda segurança que não foi o causador das mortes, pois comprovamos visualmente cada projétil que caiu na praia" da localidade de Beit Lahia.No entanto, não descartaram que o ataque tenha sido lançado em terra, ou seja, por tanques que estavam nas imediações da Faixa de Gaza e que tinham como objetivo impedir ataques de milicianos palestinos.As Forças Armadas israelenses ofereceram também assistência às vítimas do ataque contra a praia de Gaza, e estenderam a colaboração para que os feridos possam ser atendidos em centros hospitalares de Israel.Funeral Em outro ataque nesta sexta-feira um míssil israelense atingiu um veiculo matando três homens, identificados como prováveis membros dos Comitês de Resistência Popular, coalizão rebelde composta por militantes de diversos grupos armados palestinos. O líder da organização, Jamal Abu Samhadana, foi morto na quinta-feira em um bombardeio israelense. Centenas de pessoas, incluindo homens armados que atiravam para o ar, lotaram um estádio no norte de Gaza para o funeral de Samhadana nesta sexta-feira. O Hamas condenou o ataque que matou o líder, mas ainda não está claro se o grupo extremista palestino pretende agir contra Israel diretamente ou apoiar ações de outras facções. Abu Samhadana era reverenciado em Gaza como uma figura chave nos ataques palestinos contra Israel. Ele é suspeito de organizar um ataque contra um comboio americano em Gaza em 2003. O líder mantinha laços estreitos com varias facções palestinas e era membro de um dos clãs mais poderosos do campo de refugiados de Rafah, onde vivia. Centenas de homens escoltaram o corpo de Samhadana do necrotério à sua casa, e então tomaram as ruas de Rafah a caminho do estádio. Durante o trajeto, fizeram centenas de disparos para o ar gritando "Deus é Grande" e "vingança".Facções rivais, incluindo homens afiliados à Fatah de Abbas, juntaram-se à procissão, exibindo lançadores de granadas e rifles.Ainda nesta sexta, militantes na Faixa de Gaza dispararam quatro mísseis contra Israel, acertando um prédio no sul da cidade de Sderot. O ataque não deixou nenhum ferido, informou o exército israelense, que respondeu aos disparos com a artilharia naval.

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