Autoridades pedem evacuação de partes da 3ª maior cidade da Austrália

Expectativa é que nível do rio que cruza Brisbane suba, inundando milhares de casas

BBC

11 de janeiro de 2011 | 13h51

Moradores de Brisbane se preparam para cheia do rio que cruza a cidade.

 

MELBOURNE - A polícia da Austrália pediu nesta terça-feira, 11, que a população deixe suas casas em partes da terceira maior cidade do país, Brisbane, que está sendo ameaçada pelas enchentes.

 

Estabelecimentos comerciais da cidade, capital do Estado de Queensland (leste da Austrália), foram fechados. Nas escolas, aulas foram suspensas, e empresas mandaram para casa seus funcionários. A expectativa é de que o nível do rio que atravessa a cidade, o Brisbane, suba nas próximas horas.

Segundo o prefeito, Campbell Newman, se o rio ficar 4,20 metros acima do nível normal, 6,5 mil propriedades vão ser invadidas pela água e mais 15 mil ficarão desabrigados só na capital.

O governo australiano decretou área de desastre em 75% de Queensland devido às chuvas, que vêm castigando o país desde dezembro.

Desde dezembro, já são 19 mortos em todo o Estado. Outras 78 pessoas, incluindo famílias inteiras, estão desaparecidas.

Represa

Desde o início das chuvas, cerca de 200 mil pessoas tiveram que deixar as suas casas e procurar abrigo em escolas e nos prédios da Cruz Vermelha Australiana.

A represa de Wivenhoe, que fica a 80 km de Brisbane, ameaça transbordar. Ela foi construída com o objetivo principal de conter as enchentes como a que atingiu a cidade em 1974.

Em Toowoomba, a 130 km de Brisbane, dez pessoas foram mortas após a invasão da cidade por uma muralha de água na última semana.

A população da cidade foi pega de surpresa pelo forte temporal que caiu no inicio da tarde de ontem.

A correnteza nas ruas, chamada de "tsunami em terra firme" pela população, era tão forte que paredes foram destruídas, carros arrastados e árvores arrancadas pela raiz.

Ruas submersas, com crateras e corredeiras, dezenas de carros amontoados, casas com as paredes arrancadas, móveis destruídos e lixo pelas ruas compunham o cenário deixado pela água.

Prejuízo

De acordo com o governo australiano, os prejuízos com as enchentes ultrapassam 5 bilhões de dólares australianos (cerca de R$ 8,4 bilhões).

O presidente da Associação Agrícola de Queensland diz que cerca de 40% das plantações de trigo, milho e sorgo estão perdidas, além de centenas de tratores e colheitadeiras.

O turismo também teve um prejuízo superior a 100 milhões de dólares australianos, o equivalente a R$ 167 milhões, de acordo com o diretor executivo da Industria Turística, Daniel Gschwind.

Nesta segunda-feira, a primeira-ministra, Julia Gillard, lançou um programa de ajuda aos trabalhadores que perderam o emprego. Eles receberão um salário-desemprego por três meses, até que a situação esteja normalizada.

Autoridades afirmam que estas são as piores enchentes que atingiram o país nos últimos 120 anos.

 

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