KTRK-TV ABC13 via AP
KTRK-TV ABC13 via AP

Atirador de 17 anos deixa 10 mortos e 10 feridos em escola no Texas

Adolescente se entregou à polícia e disse 'não ter tido coragem' para cometer suicídio; ele usou armas do pai para atirar contra colegas e professores

Cláudia Trevisan, correspondente em Washington, O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 10h37
Atualizado 18 Maio 2018 | 22h31

Um jovem de 17 anos abriu fogo contra seus colegas em uma escola secundária do Texas, matando nove deles e um professor, nesta sexta-feira, 18. Outros dez ficaram feridos, em um episódio que se repete com frequência cada vez maior nos EUA. Há três meses, um ataque a tiros deixou 17 pessoas mortas em um colégio da Flórida, o que causou os maiores protestos em defesa do controle de armas da história do país.

Dimitrios Pagourtzis entrou na escola secundária de Santa Fé, perto de Houston, levando uma espingarda e um revólver calibre 38 sob um longo casaco. As armas pertencem a seu pai e foram compradas legalmente. Às 7h45 (9h45 em Brasília), Pagourtzis começou a disparar. Dois policiais que estavam na escola confrontaram o atirador, que acabou preso. Um deles foi ferido e está em estado grave.

Estudantes de escola na Flórida onde houve massacre começam a usar mochilas transparentes

O governador do Texas, Greg Abbott, disse que diários encontrados no computador e no celular do estudante registravam sua intenção de realizar o ataque e cometer suicídio em seguida. Além dele, outro estudante de 18 anos foi preso, sob suspeita de ser cúmplice. A polícia encontrou explosivos ao redor e dentro da escola e continua buscas por outros dispositivos.

Estudantes dos EUA se mobilizam em mais de 800 cidades em marcha contra armas

Foi aterrorizante. Foi assustador”, disse ao New York Times o estudante Logan Roberts, de 18 anos, que conhecia o atirador. “É muito estranho. Eu conversava com ele. Era um garoto legal.” Roberts afirmou que o ataque não deveria ter como resposta o controle de armas. Muitos de seus colegas, porém, participaram de protestos no mês passado em defesa de regras mais estritas, no âmbito do movimento iniciado por estudantes da escola secundária Marjory Stoneman Douglas, de Parkland, na Flórida. 

“Vocês merecem mais do que pensamentos e orações e, depois que vocês nos apoiaram marchando, nós estaremos lá apoiando vocês com a elevação de suas vozes”, escreveu no Twitter Emma Gonzalez, uma das principais líderes do movimento contra armas criado depois do ataque na Flórida. 

Outra estudante de Parkland, Delaney Tarr, também se manifestou na mídia social: “Eu deveria estar celebrando meu último dia no segundo grau, mas, em vez disso, meu coração está partido por ouvir sobre a tragédia de Santa Fé. Não podemos deixar que isso continue a ser a norma. Não podemos”.

O ataque de ontem não surpreendeu Paige Curry, estudante de 17 anos de Santa Fé. “Isso está acontecendo em todos os lugares. Eu sempre senti que acabaria acontecendo aqui também”, disse em entrevista a uma emissora local de TV. “Eu consegui manter a calma o tempo todo. Havia outra garota que estava em pânico e eles estavam lutando para mantê-la calma. Foi muito assustador.”

Pesquisa divulgada no mês passado pelo Pew Research mostrou que 57% dos adolescentes americanos têm medo de que um ataque a tiros ocorra em suas escolas. O temor é maior entre as garotas (64%) do que entre os rapazes (51%). A atividade do atirador na internet dava poucas pistas de sua intenção. Em um dos possíveis sinais, ele postou no Facebook a foto de uma camiseta preta com a inscrição “Born to kill” (“Nascido para matar”). Há três semanas, ele publicou a foto de uma faca ao lado de um revólver em sua conta no Instagram.

+ Irmão do autor de massacre na Flórida é detido por invadir escola em Parkland

+ Ataque a tiros fecha escola em Maryland; duas pessoas ficaram feridas e o atirador morreu

 

Relembre: Atirador da Flórida é problemático e fã de armas

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.