Patrick HERTZOG / AFP
Patrick HERTZOG / AFP

Autoridades revisam balanço de ataque em Estrasburgo para 2 mortos e 14 feridos

Suspeito já foi condenado 27 vezes, a maior parte delas na França, mas também na Alemanha e na Suíça, sempre por roubos e por atos violentos 

O Estado de S.Paulo

12 Dezembro 2018 | 15h58

ESTRASBURGO, FRANÇA - Segundo balando atualizado da prefeitura local nesta quarta-feira, 12, 2 pessoas morreram e 14 ficaram feridas no ataque executado na terça-feira em uma tradicional feira de Natal por um homem em Estrasburgo, leste da França. O balanço anterior da prefeitura citava três mortos, oito feridos em estado grave e cinco com ferimentos leves. 

Forças de segurança realizam buscas no nordeste do país para encontrar o suspeito, que era conhecido por ter se radicalizado religiosamente na prisão. Ele foi identificado como Cherif Chekatt, de 29 anos, nascido em Estrasburgo e já considerado pelos serviços de inteligência como um risco de segurança em potencial.

Com o atirador à solta, a França elevou o alerta de ameaça de segurança ao nível máximo, intensificando os controles na fronteira com a Alemanha, à medida que agentes de elite auxiliados por helicópteros buscam o suspeito.

A polícia alemã também reforçou os controles de fronteira nos arredores do Rio Reno, disseram autoridades. A unidade de combate ao terrorismo da Procuradoria de Paris assumiu a investigação do caso, e o procurador Remy Heitz afirmou que o suspeito gritou “Allahu Akbar (Deus é grande, em árabe)” durante o ataque.

Ainda nesta quarta-feira, as autoridades judiciais interrogaram os pais e os dois irmãos do atirador. Os quatro foram detidos. Segundo a emissora BFM TV, alguns membros de sua família eram conhecidos por sua radicalização.

Com uma arma automática e uma faca, ele atacou várias pessoas no centro da cidade, e se envolveu posteriormente em um tiroteio com quatro militares do dispositivo antiterrorista que patrulhavam a região, que responderam e o feriram em um braço, sem conseguir detê-lo.

O jovem já foi condenado 27 vezes, a maior parte delas na França, mas também na Alemanha e na Suíça, sempre por roubos e por atos violentos. 

Segundo relatou nesta quarta-feira o ministro do Interior, Christophe Castaner, três civis tentaram deter o suposto terrorista pouco antes que fugisse. Um desses cidadãos foi ferido com arma branca pelo terrorista. 

"Isso é cidadania, tentar ser heroico em momentos excepcionais, são esses heróis cotidianos que contribuem para a segurança de todos", declarou Castaner.

Após livrar-se deles, o rapaz se dirigiu a um táxi e obrigou o motorista a levá-lo ao bairro de Neudorf, onde deixou o veículo e trocou tiros em duas ocasiões com os policiais, segundo o ministro.

O ministro lembrou que a polícia já tinha tentado prender o suspeito na manhã de ontem por outro crime, não relacionado com terrorismo, e que tinha emitido um mandato de detenção ao encontrar "certos elementos inquietantes" na operação em seu domicílio.

Pouco antes, Heitz, tinha revelado que nessa operação foram apreendidos um fuzil carregado, munição, quatro facas, duas delas de caça, e uma granada defensiva.

Diante da polêmica crescente pelo fato de, apesar de figurar no arquivo de radicais, suas intenções não terem sido detectadas, Castaner indicou que, até agora, o suspeito só tinha emitido "sinais de radicalização", mas que seu histórico policial estava exclusivamente vinculado à delinquência comum.

Nesse sentido, o ministro descreveu uma infância difícil, um primeiro crime aos 10 anos, uma primeira condenação aos 13 e "um comportamento sistematicamente marcado pela violência". /  AFP, REUTERS e EFE

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