Eric Thayer/The New York Times
Eric Thayer/The New York Times

Autoridades russas discutiram como influenciar assessores de Trump, diz 'NYT' 

Reportagem do jornal americano afirma que espiões americanos coletaram informações há cerca de um ano revelando conexões entre Moscou e assessores de Trump

O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 18h56
Atualizado 24 Maio 2017 | 20h15

WASHINGTON - Espiões americanos coletaram informações há cerca de um ano revelando que membros da Inteligência e políticos russos discutiram como exercer influência sobre Donald Trump por meio de seus conselheiros, de acordo com três funcionários e ex-funcionários do governo americano a par dos assuntos de inteligência no país. 

Segundo reportagem do jornal New York Times, as conversas dos russos se concentraram em Paul Manafort, na época, gerente da campanha presidencial de Trump, e Michael Flynn, um gereral aposentado que aconselhava o então candidato. Ambos têm ligações indiretas com funcionários russos, que pareciam confiantes de que poderiam usar os dois para ajudar a formar a opinião de Trump sobre a Rússia. 

Algumas das autoridades russas, segundo o jornal, se gabavam de quão bem elas conheciam Flynn. Outras discutiram como aumentar as ligações de Viktor Yanukovych, o presidente deposto da Ucrânia que vive em exílio na Rússia, que, na época, trabalhava com muita proximidade de Manafort. 

A informação estava entre as pistas, que também incluem dados sobre comunicações diretas entre conselheiros de Trump e funcionários russos, que agentes americanos receberam ano passado assim que começaram a investigar as tentativas da Rússia de atrapalhar a eleição. A investigação também tinha o objetivo de determinar se algum assessor de Trump estava desempenhando algum papel nesse esforço. 

Detalhes das conversas, nem todas divulgadas, ajudam a explicar a crescente preocupação dentro do governo americano no ano passado sobre a influência dos russos na campanha. 

A informação coletada no ano passado foi considerada suficientemente crível pelas agências de Inteligência americanas para repassar ao FBI (polícia federal americana), que durante aquele período abriu uma investigação de contrainteligência ainda — em andamento. Segundo o NYT, não está claro, porém, se os oficiais russos tentaram influenciar diretamente Manafort ou Flynn. Ambos têm negado qualquer conluio com o governo russo. 

O ex-diretor da CIA (Agência de Inteligência Americana) John Brennan testemunhou terça-feira sobre um tenso período, no ano passado, quando ele chegou à conclusão de que o presidente russo, Vladimir Putin, estava tentanto conduzir o resultado da eleição. Ele afirmou ter visto sugestões de inteligência de que a Rússia queria usar membros da campanha de Trump, conscientemente ou não, para ajudar nesse objetivo. 

Ele falou vagamente sobre contatos entre assessores de Trump e funcionários russos, sem citar nomes, dizendo que eles "fizeram surgir questões em sua cabeça sobre se a Rússia seria capaz de ganhar a cooperação desses indivíduos". 

A dúvida sobre se os russos trabalharam diretamente com algum assessor de Trump é a questão central à qual querem responder os investigadores federais, liderados agora por Robert Mueller III, recentemente apontado como conselheiro especial sobre o tema. Trump tem qualificado todas as conversas sobre a interferência russa nas eleições de "fake news" (notícias falsas), insistindo que não houve nenhum contato entre sua campanha e Moscou. / NYT

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