FABRICE COFFRINI / AFP
FABRICE COFFRINI / AFP

Autoridades souberam de brecha de segurança na CIA em 2016; terceirizados são suspeitos

Empresas contratadas estão verificando quais de seus funcionários tiveram acesso ao material que foi vazado para o WikiLeaks

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2017 | 23h14

WASHINGTON/BERLIM - Autoridades de segurança e da inteligência dos Estados Unidos disseram nesta quarta-feira que estão cientes desde o fim do ano passado de uma brecha de segurança na CIA e estão suspeitam que prestadores de serviços teriam repassado os documentos ao WikiLeaks detalhando ferramentas de ciberespionagem da agência de inteligência.

As autoridades, que pediram para não ser identificadas, disseram à Reuters que acreditam que os documentos publicados pelo WikiLeaks na terça-feira sobre técnicas da CIA usadas entre 2013 e 2016 são autênticos.

Investigadores estão se concentrando em prestadores de serviços da CIA como a fonte provável do vazamento de material ao site, afirmaram as autoridades. O grupo publicou o que disse serem quase 8 mil páginas de discussões internas da CIA sobre técnicas de invasão cibernética usadas entre 2013 e 2016.

Os documentos mostram que hackers da CIA podiam acessar aparelhos iPhones, Android e outros para capturar mensagens de texto e voz antes de serem criptografadas.

A Casa Branca disse na quarta-feira que o presidente Donald Trump estava "extremamente preocupado" com uma violação de segurança da CIA que levou à divulgação do WikiLeaks, e que o governo seria duro com os autores dos vazamentos.

"Qualquer um que vaze informações sigilosas será atingido pelo mais alto grau da lei", afirmou o porta-voz Sean Spicer a repórteres.

Uma autoridade com conhecimento da investigação disse que as empresas que são contratadas pela CIA têm verificado quais de seus funcionários tiveram acesso ao material que o Wikileaks publicou e, em seguida, verificarão os registros de seus computadores, e-mails e outras comunicações.

Uma razão pela qual a investigação está focada em um potencial vazamento por parte de terceirizados, em lugar de, por exemplo, um hackeamento da inteligência russa, disse outra autoridade, é que até agora não há provas de que as agências de inteligência russas tentaram explorar qualquer material vazado antes de ser publicado.   

Uma autoridade europeia, falando sob a condição de anonimato, disse que o material do WikiLeaks poderia de fato levar a uma cooperação mais estreita entre agências de inteligência europeias e contrapartes norte-americanas, que compartilham preocupações sobre as operações de inteligência russas.

As agências de inteligência norte-americanas acusaram a Rússia de tentar influenciar as eleições presidenciais dos EUA no ano passado em favor de Trump, incluindo a invasão de emails do Partido Democrata. Moscou negou a alegação.

Um dos principais problemas de segurança foi que o número de prestadores de serviços com acesso à informação de mais alto sigilo "explodiu" devido a restrições orçamentárias federais, disse uma autoridade dos EUA.

A Reuters não pôde verificar imediatamente o conteúdo dos documentos publicados. Na terça-feira, vários prestadores de serviços e especialistas em segurança cibernética disseram que os materiais pareciam legítimos.

Nesta quarta-feira, a procuradoria federal da Alemanha disse que irá analisar os documentos do WikiLeaks porque alguns deles dão a entender que a CIA opera um centro de ciberespionagem no consulado de Frankfurt.

"Estamos analisando isso muito cuidadosamente", disse um porta-voz da procuradoria federal à Reuters. "Iniciaremos uma investigação se virmos indícios de atos criminosos concretos ou de perpetradores específicos."

As revelações mais recentes surgiram dias antes de uma visita programada da chanceler alemã, Angela Merkel, a Washington para um primeiro encontro com Trump, que criticou Berlim duramente em tópicos que vão de sua política externa ao que considera níveis inadequados de gastos militares. / REUTERS

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