AFP PHOTO / DANIEL LEAL-OLIVAS
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Autoridades suecas interrogam Assange na embaixada do Equador

Fundador do WikiLeaks é acusado de crimes sexuais e está asilado há cinco anos na representação diplomática com medo de ser extraditado para os EUA

Andrei Netto CORRESPONDENTE/ PARIS, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2016 | 13h19

O fundador do Wikileaks, o jornalista e militante Julian Assange, foi interrogado nessa segunda-feira, 14, por magistrados suecos, na presença de um procurador equatoriano, sobre a acusação de violência sexual que pesa contra ele na Suécia. O interrogatório é um passo a mais na tentativa de resolução do impasse jurídico-diplomático que o envolve. Assange, 45 anos, está refugiado na embaixada do Equador desde 2012, com receio de ser detido e extraditado aos Estados Unidos. 

A equipe sueca foi liderada pela procuradora Ingrid Isgren, que investiga o caso envolvendo o jornalista australiano, mas as perguntas foram feitas pelo magistrado equatoriano, atendendo ao acordo firmado entre Equador e Suécia, cujas diplomacias negociaram durante meses a realização do interrogatório. O caso remonta a 2010, quando as denúncias de estupro vieram a público, e em razão das suspeitas o ativista tem contra si um mandado de prisão válido em toda a Europa.

Ontem a defesa de Assange reclamou de "violação de procedimento" em razão da ausência de seu advogado, Per Samuelsson, que não participou do testemunho, mas informou por meio de comunicado que o jornalista colaborou com os investigadores. "Assange quer uma chance de lavar sua honra, e eu espero que a investigação preliminar seja abandonada", afirmou. 

Por outro lado, a advogada de uma das supostas vítimas, Elisabeth Fritz, disse esperar que o processo possa avançar com o testemunho. "Nós esperamos que após essa audiência a procuradoria o denuncie e que essa denúncia conduza a um processo diante do tribunal sueco", disse. 

"Minha cliente espera há seis anos que a Justiça seja feita."

Um exame de DNA será realizado, caso o australiano confirme que concorda com a coleta de material genético. Novos interrogatórios acontecerão nos próximos dias.

Enquanto o encontro acontecia no interior da embaixada, um grupo de manifestantes protestou do lado de fora em favor de Assange, com cartazes em que pediam a liberdade para o australiano. Desde que as denúncias vieram a público, Assange alega inocência e se diz alvo de manobras dos Estados Unidos, que desejariam sua deportação para o país, onde responderia pelo vazamento de 250 mil documentos secretos produzidos pela diplomacia americana. Segundo a ONU, seu refúgio na embaixada equatoriana é na prática uma prisão arbitrária, uma definição jurídica que aumentou a pressão sobre as autoridades britânicas e suecas pela resolução do caso.

Nas últimas semanas, a organização fundada pelo jornalista, Wikileaks, voltou ao centro das atenções ao ser acusada de vazar dados sobre a correspondência eletrônica da candidata democrata à presidência dos EUA, Hillary Clinton. Assange é inclusive centro de uma petição que solicita ao presidente eleito, Donald Trump, que lhe garanta o perdão oficial pelos crimes dos quais é acusado no país.

 

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