AFP PHOTO / Jose Luis TOLENTINO
AFP PHOTO / Jose Luis TOLENTINO

Autoridades trabalham na identificação dos corpos das vítimas do incêndio no México

Procuradoria-Geral informou ter iniciado uma investigação para determinar as causas do acidente, que ainda não foram esclarecidas

O Estado de S.Paulo

22 Dezembro 2016 | 09h07

TULTEPEC, MÉXICO - O mercado especializado em fogos de artifício de Tultepec, o maior do México, ainda está coberto de cinzas após a forte explosão que matou pelo menos 32 pessoas e deixou 60 feridas. Autoridades lutavam para identificar as vítimas e explicar as causas da tragédia. A explosão ocorreu às 14h50 locais (18h50 em Brasília) de terça-feira no mercado conhecido como San Pablito, que estava lotado em razão das festas de final de ano.

Centenas de policiais patrulhavam a área, enquanto as autoridades procuravam 12 pessoas que seguiam desaparecidas e tentavam identificar os corpos. Pela manhã, agentes contabilizaram 31 mortos, mas após a morte de uma mulher que estava ferida, o número de vítimas fatais subiu para 32, entre as quais 8 menores.

O secretário de governo do Estado do México, Jesús Manzur, disse em uma coletiva de imprensa que 18 corpos já foram reconhecidos pelos parentes. A identificação dos outros 14 cadáveres pode levar "dias ou semanas", advertiu o procurador do estado, Alejandro Gómez, ao explicar a dificuldade dos trabalhos “em vista do nível de carbonização" dos corpos.

Segundo Manzur, ainda há 59 feridos, dos quais 46 estão hospitalizados. Muitos estão em tratamento intensivo, com queimaduras de diferentes graus, mas apenas 5 deles se encontram em "estado de gravidade e com risco de vida", segundo as autoridades.

Investigações. A Procuradoria-Geral informou ter iniciado uma investigação para determinar as causas do acidente que provocou "seis explosões de pirotecnia". Mas segundo Gómez, elas ainda não foram esclarecidas. "Não tenho, neste momento, uma hipótese (...). Nossa prioridade tem sido atender os feridos e o levantamento dos corpos", afirmou.

Alguns moradores da região disseram que, aparentemente, alguém deixou cair um fogo de artifício com as dimensões de uma bola de tênis e que, ao ser aceso, ilumina o céu com círculos coloridos. Outra hipótese é que um foguete acendeu em um local, provocando uma reação em cadeia. Esta última teoria não pode ser confirmada porque a pessoa que trabalhava no local onde isso poderia ter ocorrido está entre as vítimas fatais, explicou Gómez.

Segundo o funcionário, especialistas estaduais e federais realizarão várias perícias, entre elas de criminalística de campo, fotografia forense e perícia de acidentes, incêndios e explosivos. No dia 15 de setembro de 2005, outro incêndio destruiu o San Pablito; no ano seguinte, mais um acidente destruiu mais de 200 barracas.

Choque. Na quarta-feira, as mais de 300 barracas destruídas do local estavam isoladas para o trabalho dos policiais e socorristas com uma fita amarela com a inscrição "Proibida a passagem".

Dezenas de peritos examinavam os escombros e grupos de trabalhadores removiam os destroços. Duas ambulâncias e dois carros de bombeiros foram enviados ao local. Também chegaram homens do Exército e a autoridade encarregada de entregar as permissões de venda de fogos de artifício.

O presidente Enrique Peña Nieto lamentou os fatos em um ato público e pediu um minuto de silêncio, enquanto os moradores das proximidades do mercado, ainda chocados, contaram relataram o que viram. "Pensei que a minha casa tivesse caído", disse Artemio Aguilar, enquanto recolhia pedaços de fogos na erva daninha que cerca sua propriedade.

Luis Hernández, um jovem de 26 anos que desde os 12 trabalha com fogos de artifício ao lado do mercado, achava que não sobreviveria. "As pessoas corriam, as crianças gritavam, havia muita gente queimada que caminhava sem saber o que fazer e nós também não sabíamos o que fazer. Tínhamos medo de que seguissem as explosões", contou. / AFP

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