DHA-Depo Photos via AP
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Autoridades traçam perfil do autor de chacina em boate de Istambul

Suspeito nascido no Quirguistão recebeu treinamento com armas e combateu com o EI na Síria, segundo autoridades turcas; Parlamento estende estado de emergência no país

O Estado de S.Paulo

03 Janeiro 2017 | 13h20

ISTAMBUL, TURQUIA - O perfil do suspeito do atentado contra a discoteca Reina de Istambul está sendo traçado pelas autoridades nesta terça-feira, com a divulgação de novas imagens do homem, nascido no Quirguistão, que está foragido. 

Após a prisão de doze suspeitos ontem outros dois cidadãos estrangeiros foram detidos nesta terça no aeroporto internacional Ataturk de Istambul, internacionais e transferidos ao quartel-general da segurança em Istambul.

O Parlamento turco aprovou, nesta terça-feira (3), uma prorrogação de três meses do estado de emergência instaurado depois de uma tentativa de golpe em julho. A decisão foi tomada três dias depois do atentado. O estado de emergência já levou à detenção de pelo menos 37 mil pessoas e causou preocupação na União Europeia. Estendida pela segunda vez, a medida expiraria em 19 de janeiro.

Segundo o jornal Hurriyet, os investigadores acreditam que o autor do atentado, reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), foi treinado para dominar o uso de armas. O jornalista Abdulkadir Selvi, ligado ao governo, afirma no jornal que as autoridades identificaram o agressor e que ele teria combatido nas fileiras do EI na Síria.

O governo turco, que admitiu que a investigação está sendo difícil. A agência turca Dogan difundiu um vídeo, onde ele é visto se filmando enquanto passeia tranquilamente pela famosa praça Taksim, muito frequentada por turistas.

O atentado do Ano Novo foi realizado num momento em que o exército turco tenta tomar a cidade Al Bab, um reduto do EI no norte da Síria, onde Ancara lançou uma ofensiva contra os jihadistas e as milícias turcas.

Outros meios de comunicação informaram nesta terça que o suspeito teria chegado em novembro passado a Konya (sul) com sua esposa e seus dois filhos para "não chamar a atenção".

A esposa pode ser uma das pessoas atualmente detidas, segundo a Dogan.

De acordo com Selvi, as autoridades querem capturar o agressor vivo para poder desmantelar uma possível rede de terroristas e abortar futuros ataques.

Os investigadores acham que o suspeito pode estar vinculado à célula que cometeu o triplo tentado suicida no aeroporto de Atatürk, em Istambul, que em junho passado deixou 47 mortos, e foi atribuído pelas autoridade ao EI.

Este atentado, o último de uma longa série que sacudiu o país em um ano e meio, parece indicar que a Turquia se converteu num dos principais objetivos do EI. /AFP

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