DHA-Depo Photos via AP
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Autoridades turcas identificam autor de massacre, diz TV estatal

De acordo com a emissora TRT, o terrorista que atacou o clube Reina seria Lakhe Mashrapov, de 28 anos, nascido no Quirgistão; após divulgar cópia do passaporte do suspeito, a rede de TV eliminou a notícia sobre o caso de seu site, mas não desmentiu as informações

O Estado de S. Paulo

03 Janeiro 2017 | 08h51

ANCARA - O autor do atentado terrorista na casa noturna Reina, em Istambul, que deixou 39 mortos na noite de ano-novo, foi identificado pelas autoridades da Turquia, afirmou a rede de televisão pública "TRT" nesta terça-feira, 3. O homem, que invadiu o clube a atirou indiscriminadamente, seria Lakhe Mashrapov, de 28 anos e natural do Quirguistão.

Depois de publicar uma foto do passaporte do suspeito, no entanto, a emissora eliminou de seu site a notícia na qual informava a identidade do autor do ataque, embora até o momento ninguém tenha desmentido a informação. Apesar de a TRT ter eliminado também o vídeo e as publicações em redes sociais sobre a identidade do suspeito, estas informação seguiam circulando pelas redes sociais.

As autoridades turcas impuseram um bloqueio informativo - que ainda se mantém - pouco após a ação terrorista na casa noturna, reivindicado na segunda-feira pelo grupo terrorista Estado Islâmico (EI). Outros veículos de comunicação turcos também tinham antecipado na manhã desta terça que a polícia tinha a identidade do terrorista, embora não a tenham divulgado.

As autoridades turcas divulgaram na noite de segunda-feira fotos do criminoso tiradas em diferentes ocasiões. Uma delas o mostra em uma casa de câmbio de Laleli, um bairro conservador de Istambul, provavelmente vários dias antes do atentado.

Família. O jornal "Cumhuriyet", que da mesma forma que outras publicações assegura que a família do suspeito está protegida pela polícia na cidade Konya, no centro do país, disse ter falado com a mulher do terrorista, que confirmou que eles seriam do Quirguistão.

"Soube do ataque pela televisão. Não sabia que meu marido era simpatizante (do EI)", teria dito a mulher ao jornal, segundo o qual o terrorista e sua família chegaram no dia 20 de novembro em voo do Quirguistão ao aeroporto de Istambul, de onde foram a Ancara e, em 22 de novembro, a Konya.

Nesta cidade do centro do país ele "alugou um estúdio por 1.100 liras (cerca de R$ 980) e pagou três meses (antecipados)", escreveu o jornal. Ainda de acordo com o Cumhuriyet, a mulher do terrorista afirmou que eles teriam se mudado para a Konya para buscar trabalho, mas que no dia 29 ele viajou em automóvel a Istambul.

A publicação acrescentou que após verem sua foto nos jornais e TVs, "vários moradores do prédio onde ele morava chamaram a polícia para dizer que o tinham reconhecido".

Suspeitas. O atirador parece ser conhecedor de táticas de guerrilha e pode ter treinado na Síria, relataram um jornal turco e uma fonte de segurança nesta terça-feira. "O agressor possui certamente experiência de combate... ele pode ter lutado na Síria durante anos", disse a fonte de segurança à agência Reuters, acrescentando que as ações do atirador provavelmente foram orientadas pelo grupo jihadista.

O jornal Haberturk disse que investigações policiais revelaram que o agressor entrou na Turquia vindo da Síria e foi para a cidade de Konya, viajando com a mulher e dois filhos para não chamar atenção.

Um vídeo do suposto agressor, gravado por ele mesmo, aparentemente caminhando pela Taksim Square, em Istambul, foi transmitido por canais de notícia turcos nesta terça-feira, à medida que a polícia tentava rastreá-lo. / EFE, AFP e REUTERS

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