Avançando, apesar da falta de recursos

A barreira de checagem de documentos imposta pela força rebelde, nos arredores de Bin Jawad, examina os passaportes mas confunde ingleses com canadenses. Um dos jornalistas contabiliza o armamento do grupo: um fuzil AK-47, de resto, moderno, ao lado de uma cartucheira, uma carabina de caça e uma escopeta. O veiculo da patrulha é uma picape japonesa leve, e sobre ela foi montado um canhão russo antiaéreo de quatro canos. Pesa cerca de uma tonelada - 200 kg acima da capacidade máxima de carga da pequena Nissan. Identificados como repórteres, os viajantes assistem a uma breve demonstração de canto e palavras de ordem que termina com uma salva de tiros de 23mm. A arma acaba engasgando.

Roberto Godoy, O Estado de S.Paulo

29 de março de 2011 | 00h00

A organização e o equipamento do exército rebelde parece inspirada nos caminhões dos filmes da série Mad Max - improvisações estranhas, incompatíveis com o fogo tecnológico que a coalizão liderada pela Otan despeja todos do céu os dias. A estratégia do oposição armada também é confusa.

As quatro Zonas de Segurança - a unidade padrão da defesa da Líbia equivalente a uma brigada de 3,5 mil a 5 mil militares - que aderiram ao movimento, ainda não conseguiram transferir método ou disciplina aos revoltosos, de acordo com o secretário de Defesa da Grã-Bretanha, Liam Fox. A dificuldade de planejamento provoca fiascos nas operações.

A tropa insurgente capturou dezenas de blindados, tanques, explosivos e munições, todavia não tem pessoal treinado para usar esse material. Pior: quando a ação chegar às cidades, como a cidade natal de Kadafi, Sirt, e a capital, Trípoli, densamente ocupada com mais de 1,2 milhão de habitantes, o trabalho de dominação será braçal, feito nas ruas.

O bombardeio da coalizão, mesmo com armas de alta precisão não poderá ser mantido. Nos termos do mandato da ONU, os ataques só se justificam em defesa da vida dos civis e, nesse caso, a ameaça contra a população será representada pela ação dos revoltosos. O último contingente bem preparado do regime é a Brigada de Defesa do Regime, pronta e equipada para a luta em Trípoli, garantiam ontem os observadores da Otan estabelecidos na Itália.

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