Avanço da Aliança rumo a Cabul preocupa Itália

O rápido avanço da Aliança do Norte rumo a Cabul "preocupa muito o Paquistão", e temores semelhantes existem também na comunidade internacional diante de possíveis "reações violentas" das forças anti-Taleban sem que haja garantias de que nas novas zonas ocupadas serão respeitados os direitos humanos, afirmou, neste domingo, o chanceler italiano, Renato Ruggiero. O ministro italiano fez as declarações em Nova York, onde participa da Assembléia-Geral da ONU. Ruggiero, depois de sublinhar que existe uma "posição comum" sobre o Afeganistão na União Européia, explicou que o objetivo da comunidade internacional deve ser sempre o de "facilitar" a solução de problemas, e não de "torná-los mais complexos". "Certamente esse avanço da Aliança do Norte, que preocupa muito os paquistaneses, é um elemento que poderia tornar ainda mais difícil a resolução do conflito", afirmou o chanceler, expressando a mesma preocupação do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush. Bush disse, na noite deste sábado, numa entrevista coletiva conjunta com o presidente do Paquistão, Pervez Musharraf, em Nova York, que as tropas da oposição deveriam evitar entrar em Cabul até que um governo pós-Taleban de amplas bases, incluindo todos os grupos étnicos afegãos, pudesse ser formado. No momento do rápido e imprevisto avanço da aliança anti-Taleban em direção a Cabul, cresce a preocupação da comunidade internacional sobre o futuro político do Afeganistão, sobretudo em vista da aberta hostilidade entre o Paquistão e os guerrilheiros da Aliança do Norte. O chanceler italiano explicou que também existe preocupação com o que possa ocorrer nas zonas já ocupadas pela oposição. "Tem de haver segurança de que os direitos humanos serão respeitados e de que não haja reações violentas", disse. Ruggiero não escondeu que está cada vez mais evidente a necessidade de uma profunda reflexão sobre o futuro do Afeganistão e as formas de acabar com o regime taleban. "Existem elementos que podem levar a pensar que existe inclusive um reforço da coalizão, mas existem outros elementos que levam a pensar que a coalizão hoje se pergunta aonde deve e aonde não deve ir", afirmou o chanceler ao ser perguntado se a coalizão internacional estava consolidada. Leia o especial

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