Avanço da direita em Israel pode paralisar processo de paz

Bloco de direita, que obteve 65 das 120 cadeiras do Parlamento, é contra o congelamento de assentamentos.

Guila Flint, BBC

11 de fevereiro de 2009 | 08h21

O fortalecimento do bloco de partidos da direita nas eleições israelenses pode levar à paralisia do processo de paz na região, já que dificilmente o novo Parlamento vai concordar com o congelamento de novas construções nos assentamentos israelenses, a primeira condição dos palestinos para voltar à mesa de negociações.Com a expansão do bloco de direita, o próximo governo israelense - quer seja liderado por Benjamin Netanyahu ou por Tzipi Livni - não deverá cumprir os acordos que Israel assinou com os palestinos.Segundo o resultado da apuração de mais de 99% das urnas, apesar de o Kadima - partido governista liderado por Livni - ser o maior do Parlamento, com 28 cadeiras, o bloco dos partidos de direita conseguiu mais assentos - 65 das 120 cadeiras da casa. Nas eleições de 2006, o bloco de direita elegeu apenas 50 parlamentares.O direitista Likud, liderado por Benjamin Netanyahu, é o segundo maior partido, com 27 cadeiras, uma a menos do que o Kadima. O bloco da direita inclui o Likud, três partidos de extrema-direita e dois partidos ultra-ortodoxos.O bloco de centro-esquerda inclui o Kadima, o Partido Trabalhista, o social-democrata Meretz e três partidos árabes que, por não serem sionistas, não são vistos pelos grandes partidos como parceiros potenciais para integrar uma coalizão governamental.Os três partidos que representam os cidadãos árabes israelenses - Hadash, Balad e RaamTaal - obtiveram um total de 11 cadeiras no Parlamento e como elas não são contadas nas negociações para a formação da coalizão, restam para o bloco de centro-esquerda apenas 44 cadeiras "contáveis", contra as 65 do bloco direitista.De acordo com a lei em Israel, cabe ao presidente decidir o líder de qual partido será nomeado para compor a nova coalizão governamental.Logo depois da publicação dos resultados oficiais, dentro de uma semana, o presidente Shimon Peres deverá ouvir todos os partidos e decidir se nomeará a líder do maior partido, Tzipi Livni, ou o líder do maior bloco, Benjamin Netanyahu, para formar o novo governo.Após a publicação das pesquisas de boca-de-urna, na madrugada desta quarta feira, Livni e Netanyahu fizeram discursos de vitória e anunciaram que iriam liderar a nova coalizão.Porém, seja qual for a decisão do presidente Peres, a composição do Parlamento indica que o próximo governo não deverá cumprir os acordos que Israel assinou com a liderança palestina.Mesmo no caso de Tzipi Livni ser a próxima premiê, ela não terá apoio suficiente no Parlamento para conseguir tomar as medidas necessárias para negociar a paz com os palestinos, como retirar assentamentos dos territórios ocupados.O bloco de direita também é contra a negociação de questões básicas que envolvem o processo de paz, como a criação de um Estado palestino ao lado do Estado israelense, a retirada dos assentamentos, a transformação de Jerusalém oriental em capital do futuro Estado palestino e uma solução para o problema dos refugiados palestinos.Logo depois de divulgadas as pesquisas de boca-de-urna, um dos principais negociadores palestinos, Saeb Erekat, declarou que "os eleitores israelenses optaram por uma situação de paralisia, a nova coalizão governamental não poderá assinar um acordo de paz".Rafik Husseini, assessor do presidente palestino Mahmoud Abbas, declarou que a Autoridade Palestina tem "condições claras para a continuação das negociações com Israel e a primeira delas será o congelamento imediato da construção de assentamentos".Mas o bloco de direita é contra este congelamento. Durante a campanha Netanyahu também afirmou que não vai concordar com o "estrangulamento" dos assentamentos e que irá defender "o direito de crescimento natural".Nessas circunstâncias, ao invés de um congelamento dos assentamentos, é mais provável é que ocorra um congelamento do processo de paz.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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