Robyn Beck / AFP
Robyn Beck / AFP

Avanço da pandemia causa falta de leitos hospitalares no Meio-Oeste dos EUA

Casos de coronavírus cresceram 70% nos EUA nas duas últimas semanas; clima frio e mais pessoas em casa aumentam propagação

Redação, O Estado de S.Paulo

13 de novembro de 2020 | 10h07

Com o ressurgimento da pandemia nos EUA, a covid-19 está avançando sobre o Meio-Oeste - contágios e mortes aumentam, hospitais lotam, faltam profissionais de saúde e cresce o temor de que o sistema médico da região esteja sobrecarregado nos próximos dias. Os EUA tiveram 242 mil mortes e somam mais de 10,5 milhões de contaminações. 

Os casos cresceram nos EUA até 70% nas últimas duas semanas, com uma média de 130 mil casos por dia nacionalmente - e a situação é particularmente aguda agora nos Estados da Dakota do Norte e Dakota do Sul, que lideraram os novos casos e mortes per capita no país, considerando a semana passada, de acordo com dados do Washington Post. 

Especialistas dizem que mais casos estão surgindo na região por causa do clima frio e o fato de as pessoas estarem mais tempo em casa -  em espaços internos e mal ventilados é onde a transmissão ocorre com mais facilidade. O vírus está chegando até mesmo em áreas remotas onde os líderes republicanos resistiram ao uso da máscara ou ao fechamento de negócios, pedindo aos moradores que confiassem na responsabilidade pessoal. 

O aumento no Meio-Oeste é uma prévia do que o restante dos Estados Unidos pode esperar nas próximas semanas, conforme o inverno se aproxima, dizem os especialistas. A situação se tornou tão aguda que mesmo alguns líderes que antes resistiam às restrições sucumbiram.

O governador republicano do Iowa, Kim Reynolds, um crítico de fechamentos e uso de máscara, proibiu reuniões internas sem máscara de 25 ou mais pessoas e exigiu que os participantes de grandes eventos ao ar livre usem máscara.

Em Minnesota, o governador Tim Walz, democrata, alertou sobre mais números de “pesadelo” que virão, embora o Estado tenha instituído novas restrições a bares, restaurantes e reuniões sociais na tentativa de impedir a disseminação.

Nesta sexta-feira, Minnesota começou a limitar as reuniões sociais a 10 pessoas ou menos e a restringir eventos sociais à medida que o país entra em uma temporada de feriados, quando os médicos temem que reuniões familiares possam se tornar locais de difusão do vírus. 

Na Dakota do Norte, onde os casos aumentaram 60% no mês passado, o governador republicano Doug Burgum disse esta semana que os hospitais estão lotados e tão sobrecarregados que o Estado permitirá que seus profissionais de saúde continuem trabalhando depois de testarem positivo para o coronavírus. 

Médicos e prestadores de cuidados de saúde no Meio-Oeste continuam a exortar os líderes em seus Estados a fazerem mais para conter a onda do vírus, já que as pessoas não são obrigadas a usar máscaras.

Andrew T. Pavia, chefe de doenças infecciosas pediátricas da Escola de Medicina da Universidade de Utah, disse na quarta que o "enorme aumento" é preocupante porque o acesso aos cuidados de saúde em algumas áreas rurais já é limitado.

"A situação realmente deve ser descrita como terrível", disse Pavia, acrescentando que o "clima político" e a "desconfiança geral do governo" nessas áreas resultou na relutância dos funcionários públicos em tomar medidas mais rigorosas para impedir a propagação do vírus. 

Os médicos de um dos maiores sistemas de saúde da região, Avera Health em Sioux Falls, SD, com instalações em Dakota do Sul, Minnesota, Iowa, Nebraska e Dakota do Norte, disseram que sua modelagem mostrou que o aumento do vírus vai piorar nas próximas semanas.

Algumas de suas instalações já estão quase lotadas e cerca de 400 de seus funcionários estão doentes ou em quarentena, disseram as autoridades. Em Minnesota, as autoridades estaduais apresentaram números sombrios de novas infecções na quinta-feira - com 7.228 novas pessoas contaminadas - e alertaram que o Estado está a caminho de ver pelo menos 100 mil novos casos até o Dia de Ação de Graças.

Chris Bjorkman, de De Smet, na Dakota do Sul, perdeu seu marido, John, de 66 anos, um superintendente escolar aposentado, depois que os dois adoeceram com o coronavírus em setembro.

Bjorkman teve de ser levado para um hospital em Marshall, Minnesota, quando sua condição piorou e não havia lugar para ele em Dakota do Sul. Ele acabou voltando para um hospital e morreu em 20 de outubro.

Desde a morte de seu marido, ela está desanimada porque tão poucos de seus vizinhos usam máscaras. “As pessoas não estão levando isso a sério”, disse ela. “Alguns simplesmente não se importam." / The Washington Post 

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