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EFE/EPA/Tiago Petinga
EFE/EPA/Tiago Petinga

Avanço da variante indiana na Europa ameaça planos de reabertura

Crescente de casos de covid-19 pela cepa, considerada mais transmissível que as demais, interrompeu o relaxamento de restrições em países como Reino Unido e Portugal

Redação, O Estado de S.Paulo

22 de junho de 2021 | 15h00

Os planos de reabertura de alguns dos principais países da Europa tiveram que ser prorrogados pelo rápido avanço da variante Delta do novo coronavírus. Embora a nova cepa, identificada pela primeira vez na Índia, ainda responda por apenas uma fração do total de casos de covid-19 no continente, ela está ganhando terreno em países como Alemanha, Espanha e França, e é a maior preocupação de autoridades do Reino Unido e de Portugal, onde o número de casos já é dominante.

A variante Delta é responsável por 96% das infecções sequenciadas por covid-19 em Portugal, mais de 20% na Itália e cerca de 16% na Bélgica, de acordo com uma análise do Financial Times, com base no banco de dados de rastreamento de vírus Gisaid. No Reino Unido, o número de casos triplicou no último mês, sendo a cepa indiana responsável por 98% das novas infecções, também de acordo com a publicação britânica.

Com os contágios aumentando, alguns países preferiram retroceder no relaxamento de algumas restrições, voltando a impor limitação na circulação de pessoas. Em Portugal, o governo proibiu viagens não-essenciais com partida ou destino à região metropolitana de Lisboa durante o fim de semana passado, após ser constatado que 60% dos novos casos de covid-19 na semana anterior foram pela nova cepa, em um esforço para prevenir a propagação para outras regiões do país.

Nessa segunda-feira, 21, a ministra da Saúde de Portugal, Marta Temido, admitiu que novas medidas restritivas podem ser adotadas caso a progressão de casos permaneça. "Sempre dissemos que as linhas dos nossos mapas de referência são indicadores que nos levam a travar ou acelerar e tomar medidas em função daquilo que é a situação. Sabemos que estamos com um risco efetivo de transmissão elevado e com um número de novos casos por dia que é também elevado", disse a ministra, segundo o registro do jornal português O Público.

Apesar do número menor de casos, a situação também é preocupante em outras partes da União Europeia. As autoridades francesas estão tentando conter um surto na região de Landes, perto da fronteira com a Espanha, onde 125 casos da variante foram confirmados por sequenciamento genético e outros 130 estão sob suspeita, representando cerca de 30% das infecções recentes na área. Focos da cepa indiana também foram identificados nas últimas semanas nos arredores de Paris e em Estrasburgo.

O ministro da saúde francês, Olivier Verán, afirmou que entre 2% e 4% das amostras de vírus analisadas no país testaram positivo para a variante indiana. "Você pode dizer que ainda é um número baixo, mas é similar a situação do Reino Unido algumas semanas atrás". De acordo com a análise do Financial Times, a situação é pior.

Alguns cientistas temem que o vírus possa ter se espalhado ainda mais, mas não foi detectado, visto que menos do sequenciamento genômico necessário para identificar as variantes foi concluído na Europa. Enquanto o Reino Unido sequenciou mais de 500.000 genomas Sars-Cov-2, Alemanha, França e Espanha sequenciaram cerca de 130.000, 47.000 e 34.000, respectivamente.

"É caro, consome tempo e foi negligenciado", declarou o diretor do Instituto de Saúde Global da Universidade de Genebra, Antoine Flahault, à France-Presse.

Reino Unido vira laboratório

Em meio à preocupação de uma possível quarta onda - no momento em que os esforços dos últimos dois meses resultaram nos menores índices de contágio e mortes desde o ano passado -, cientistas europeus voltam a atenção para o Reino Unido, onde os casos de covid-19 triplicaram no mês passado e a variante Delta é responsável por cerca de 98% de todas as novas infecções, em busca de pistas sobre o que pode acontecer na sequência e quais medidas podem ser tomados.

Na semana passada, após dados oficiais mostrarem que a variante indiana pode aumentar o risco de hospitalização em até 2,2 vezes, em comparação com a variante alfa, o primeiro-ministro Boris Johnson suspendeu o relaxamento das restrições ainda vigentes no Reino Unido, adiando o que vinha sendo chamado de "Dia da Liberdade" pela imprensa britânica, marcado para 21 de junho.

"Acho sensato esperar um pouco mais", afirmou Johnson durante o anúncio, em 14 de junho. "Ao sermos cautelosos agora, teremos a oportunidade nas próximas semanas de salvar milhares de vidas ao vacinarmos mais milhares de pessoas."

Apesar da interrupção no plano, ainda assim houve alguma abertura, com a autorização para a realização de casamentos com até 30 convidados, desde que divididos em mesas com até seis pessoas.

"As decisões que o Reino Unido toma para reabrir a vida e a sociedade servirão como um laboratório para nós na Europa", disse Bruno Lina, um virologista que assessora o governo francês, ouvido pelo Financial Times.

Evidências apontam que caminho da reabertura passa pela vacinação

A vacinação vem sendo apontada como um aspecto fundamental para minimizar o impacto da variante indiana. Uma pesquisa divulgada pelas autoridades de saúde do Reino Unido na semana passada mostrou que receber as duas doses da vacina - no estudo, foram considerados os imunizantes Pfizer/BioNTech e AstraZeneca/Oxford - protege efetivamente de uma hospitalização pela covid-19 causada pela nova cepa.

O estudo divulgado pela Public Health England (PHE), que analisou 14.019 pacientes infectados pela variante Delta, dos quais 166 foram hospitalizados, aponta que receber duas doses da Pfizer/BioNTech protege 96% contra as hospitalizações derivadas da cepa indiana, enquanto Oxford/AstraZeneca oferece uma eficácia de 92%.

"(O estudo) prova como é crucial se vacinar pela segunda vez", afirmou o ministro da Saúde britânico, Matt Hancock, parabenizando que o programa de vacinação britânico "já salvou milhares de vidas". Enquanto no Reino Unido cerca de 46% da população foi totalmente imunizada, as taxas de vacinação na maioria dos países da Europa continental estão oscilando entre 20% e 30%./ FINANCIAL TIMES, AFP E EFE

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