Avanço de Obama encarece campanha de Hillary Clinton

Ex-primeira-dama injeta US$5 mi do próprio bolso para representar o partido nas eleições presidenciais

REUTERS

07 de fevereiro de 2008 | 08h20

Hillary Clinton, pré-candidata democrata à Casa Branca, afirmou que desembolsou US$ 5 milhões de seu próprio bolso para manter-se na disputa presidencial com o adversário Barack Obama, uma admissão velada de que sua pré-candidatura perdeu a confiança dos financiadores, que estariam preferindo Obama.   Veja também: Superdelegados serão decisivos Definição segue caminhos divergentes Corrida eleitoral deve seguir por semanas Veja as imagens da Superterça  Especial eleições americanas  Cobertura completa das eleições nos EUA     Obama e Clinton saíram praticamente empatados das prévias da "superterça", com ele tendo conquistado vitórias em 13 Estados e ela, em oito, incluindo na Califórnia e em Nova York. Com isso, acirrou-se ainda mais a luta pela nomeação presidencial do Partido Democrata e a importância da nova rodada de prévias, nos próximos seis dias.   A arrecadação da campanha de Obama é crescente: ele obteve cerca de US$ 32 milhões em janeiro, contra menos de US$ 14 milhões de Hillary. Assim, a ex-primeira-dama decidiu, no fim do mês passado, contar com seus recursos pessoais. "Emprestei (à campanha) porque acredito muito nesta campanha", disse ela a repórteres em seu diretório em Arlington, Virgínia, que realiza prévias na próxima terça-feira.   "Tivemos um grande mês de arrecadação em janeiro, quebramos recordes, mas meu rival conseguiu arrecadar mais dinheiro. Queríamos ser competitivos e fomos. Acho que os resultados da noite de terça provaram a sabedoria do meu investimento", acrescentou ela.   Segundo um porta-voz, como mostra de solidariedade, alguns integrantes da campanha de Clinton voluntariaram-se para ficar sem pagamento.   A coordenação de campanha de Obama pediu a simpatizantes para igualar a injeção de fundos de Clinton e, depois disso, arrecadou cerca de US$ 5,6 milhões desde o fechamento das urnas na "superterça", afirmou o site do candidato.   É difícil que qualquer dos candidatos ganhe de lavada alguma das próximas primárias. No sábado votam os Estados de Louisiana, Nebraska e Washington. Na terça-feira, ocorrem primárias em Washington DC, Virgínia e Maryland, onde Obama tem vantagem por causa da grande população negra. Já em Ohio e no Texas, que fazem suas primárias em 4 de março, a senadora está na frente. Os dois também estão de olho nos mais de 700 superdelegados, integrantes do alto escalão do partido que têm direito a voto na convenção. Se Obama e Hillary chegarem até a convenção com número muito próximo de delegados, eles podem decidir a disputa. O comitê de Obama já afirmou que protestará se o establishment do partido for incumbido de decidir o indicado (Terry McAuliffe, coordenador da campanha de Hillary, e o ex-presidente Bill Clinton, seu marido, são superdelegados).   Próximos passos   Tecnicamente empatados em número de delegados, a senadora e ex-primeira-dama Hillary Clinton e o senador Barack Obama preparam-se para uma longa batalha que pode se estender até a convenção nacional democrata, no final de agosto, e ameaça rachar o partido nas eleições presidenciais de novembro. Segundo os resultados da Superterça, Hillary ganhou na Califórnia, Nova York e New Jersey - Estados importantes - e em outras cinco prévias, mas Obama venceu em um número maior de Estados (13) e pode acabar com mais delegados.   "Hillary tem mais ou menos metade do partido em sua coalizão e Obama tem a outra metade", disse ao Estado o estrategista democrata Bill Carrick. O senador fez progressos entre eleitores homens brancos na Geórgia e latinos no Arizona, e Hillary conquistou jovens com educação superior. "Mas a disputa continua polarizada", diz Carrick. A vitória na Califórnia foi importante para Hillary interromper o embalo que Obama vinha ganhando desde as prévias na Carolina do Sul. Mas Obama surpreendeu ao vencer no Missouri, Estado famoso por "antecipar" os nomes dos futuros presidentes.   Analistas e estrategistas independentes acreditam que a próxima rodada de primárias poderá favorecer Obama, principalmente porque o formato da votação no Estado de Washington, que distribui 97 delegados, é de caucus, o que favorece o candidato que tem uma boa organização de base, como tem Obama.   O senador deve se sair bem também na Louisiana por causa da grande população negra, principalmente em New Orleans, ainda às voltas com a recuperação do furacão Katrina. As disputas em Washington, capital, em Maryland e na Virgínia também favorecem Obama em razão da grande comunidade negra nesses Estados. Tad Devine, que foi um importante consultor político de Al Gore, em 2000, e de John Kerry, em 2004, disse que Obama está em vantagem. "Os próximos Estados são um terreno muito bom para ele", afirmou.   Obama também tem uma posição confortável para as primárias de 19 de fevereiro, quando votam Havaí e Wisconsin. O senador nasceu no Havaí e tem o apoio de Jim Doyle, governador de Wisconsin. Em Ohio, no entanto, Hillary, que conta com o apoio do governador Ted Strickland, deve levar a melhor nas prévias de 4 de março. "Ohio é o marco zero do processo eleitoral americano. Esse poderá ser o dia que decidirá a eleição", disse Devine.   (Com Patrícia Campos Mello, de O Estado de S. Paulo, e agências internacionais)

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