Avião cai antes de aterrissar e mata as 127 pessoas a bordo no Paquistão

Sem sobreviventes. Acidente com Boeing 737-200 da Bhoja Air ocorreu a 9 quilômetros do Aeroporto Internacional Benazir Bhutto, nos arredores da capital paquistanesa; chuva forte e tempestade de raios são apontadas como possíveis causas da tragédia

ISLAMABAD, O Estado de S.Paulo

21 de abril de 2012 | 03h02

Um avião com 127 pessoas a bordo caiu ontem no Paquistão. Não houve sobreviventes, de acordo com a Agência de Aviação Civil Paquistanesa (PCAA, na sigla em inglês). O Boeing 737 -200 da Bhoja Air viajava de Karachi a Islamabad e caiu em Rawalpindi, a 9 quilômetros do Aeroporto Internacional Benazir Bhutto, nos arredores da capital paquistanesa.

Dos mortos, 9 eram tripulantes e 118, passageiros. Segundo o presidente da PCAA, Pervaz George, o tempo estava chuvoso e com muitos raios no momento da queda. A companhia aérea - que voltara a operar no mês passado, após ter suspendido suas operações em 2001 por problemas financeiros - tinha quatro aviões.

Equipes de resgate isolaram a área em torno do acidente. As buscas eram feitas com o auxílio de lanternas. De acordo com a rede de TV CNN, até a noite de ontem, 50 corpos já tinham sido resgatados. As autoridades paquistanesas ainda procuravam ontem as caixas-pretas do avião, mas já começaram uma investigação para identificar as causas do acidente.

O premiê paquistanês, Yusuf Raza Gilani, se disse profundamente chocado e entristecido com a tragédia. Ele pediu à PCAA para mobilizar todos os recursos necessários para a operação de resgate. Uma investigação paralela será conduzida pelo Comitê de Investigação de Segurança Aérea do país (Isasi, na sigla em inglês).

Drama. O avião caiu sobre uma plantação de trigo. De acordo as autoridades paquistanesas, os destroços não chegaram a atingir áreas residenciais. O chefe de polícia de Islamabad, Bani Yameen, afirmou que há pouca probabilidade de o acidente ter matado alguém em solo.

O diretor administrativo da Bhoja, Javeq Ishaq, atribuiu o acidente ao mau tempo e assegurou à imprensa local que a aeronave estava em boas condições. Segundo ele, o acidente foi obra divina. "Isso veio de Deus", disse. A declaração irritou parentes de vítimas no aeroporto de Karachi. Eles exigiram da companhia transporte a Islamabad para identificar as vítimas. A Boeing, fabricante do avião, prometeu ajudar a descobrir as causas da queda e ofereceu condolências às famílias.

Testemunhas do acidente disseram à imprensa paquistanesa terem visto uma bola de fogo no ar momentos antes da queda. "As chamas eram tão altas que pareciam tocar o céu", disse Mohamed Zubair, morador de Rawalpindi.

Parentes dos passageiros que os esperavam no aeroporto de Islamabad entraram em pânico quando souberam da queda. "Minhas duas filhas morreram!", gritava um homem em estado de choque.

A paquistanesa Zarina Bibi teme ter perdido o marido. "Ele me ligou antes de sair de Karachi, mas não sei se ele estava nesse voo", afirmou. Naveed Khan, que perdeu a cunhada no acidente, estava resignada. "Rezaremos pela alma dos que partiram. O que mais podemos fazer?"

Tempo ruim. Para o capitão da Marinha paquistanesa Arshad Mahmood, que vive perto do local do acidente, a chuva e a tempestade de raios que atingiam a região no momento da tragédia podem ter sido um fator para a queda do avião. "As condições climáticas eram muito ruins para voar", disse à agência Associated Press. "O piloto teve de desviar das nuvens e dos raios e desceu demais."

O pior acidente aéreo em solo paquistanês ocorreu em 2010, quando um Airbus A-321 da Airblue chocou-se contra a cordilheira que cerca Islamabad. Na ocasião, as 152 pessoas a bordo morreram.

Nasreen Mubasher, morador de Islamabad, perdeu parentes nas duas tragédias. Um cunhado morreu no acidente da AirBlue e outro ontem na queda do avião da Bhoja. "Dois anos depois, a mesma história acontece outra vez na minha casa", lamentou. / AP e REUTERS

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