AFP PHOTO / Adalberto ROQUE
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Boeing 737 cai após decolagem e mata 108 pessoas em Cuba

Testemunhas disseram ter visto o avião fazer um movimento brusco para a direita momentos antes de cair

O Estado de S.Paulo

18 Maio 2018 | 14h23
Atualizado 18 Maio 2018 | 22h27

HAVANA - Um Boeing 737 alugado pela companhia aérea Cubana de Aviación, com 104 passageiros a bordo e 6 tripulantes, caiu nesta sexta-feira, 18, logo após decolar em Havana, causando a morte de 108 pessoas, segundo as autoridades cubanas. As brigadas de resgate conseguiram encontrar sobreviventes. Três foram hospitalizados em “estado crítico”, e dois dos resgatados acabaram morrendo, disse o diretor do hospital de Havana, Martinez Blanco. 

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Segundo a CNN, testemunhas avistaram uma “grande bola de fogo” no céu, seguida de uma nuvem de fumaça perto do aeroporto nos arredores da capital. “O avião virou um monte de ferros e outros materiais carbonizados. Caiu sobre uma plantação de batata-doce, a 200 metros das primeiras edificações. Caminhões-tanque apagaram o fogo”, disse um repórter da agência France Presse.

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A TV estatal cubana informou que “a aeronave caiu entre as localidades de Boyeros e Santiago de las Vegas” (dentro da cidade). O avião era um Boeing 737 construído em 1979, alugado pela Cubana de Aviación de uma empresa mexicana. O voo estava indo para Holguín, uma cidade de 350 mil habitantes na parte leste da ilha, e caiu às 12h08 (13h08 de Brasília), momentos depois de decolar.

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Alguns dos passageiros e tripulantes do vôo DMJ 0972 seriam estrangeiros, segundo o jornal estatal cubano Granma, apesar de não confirmar a nacionalidade das vítimas. O governo do México confirmou que seis tripulantes eram mexicanos. Pelo menos cinco crianças estavam a bordo. “As notícias não são boas, mas tomamos todas as providências e vamos fazer tudo para esclarecer as causas do acidente”, disse o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, que visitou o local do acidente. 

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Parentes dos passageiros começaram a chegar ao aeroporto menos de uma hora depois da queda e foram levadas para uma sala especial. Entre eles estava um homem de meia-idade que disse que sua mulher e sobrinha estavam no voo. 

A dona de casa Beatriz Pantoja, mãe de Leticia, de 24 anos, era uma das parentes que aguardava na sala do aeroporto. Aos prantos, ela pedia para ver a jovem. “Quero ver minha filha, ela tem apenas 24 anos. Apenas 24 anos” repetia a mulher.

José Luis, de 49 anos, mora nos arredores do aeroporto. Do supermercado onde trabalha, a 300 metros do local do acidente, é possível ver as aeronaves que decolam do José Martí. “Eu estava vendendo pão e cerveja no mercado. De repente, vi que o avião decolou, deu voltas e caiu lá embaixo. Todos nos espantamos”, disse. Enrique Gómez, que vende sanduíches no mesmo local, disse ter visto o avião “fazer uma brusca manobra para a direita” antes de cair. 

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O Boeing 737-201 que caiu nesta sexta após decolar do aeroporto José Martí, localizado a 30 quilômetros do centro de Havana, tinha sido construído em 1979 e alugado pela Cubana de Aviación, que recentemente retirou de serviço vários de seus aviões velhos que apresentavam problemas mecânicos. 

O primeiro-vice-presidente cubano, Salvador Valdés Mesa, havia se reunido na quinta-feira, 17, com funcionários da companhia aérea para discutir melhorias em seu serviço, que era alvo de duras críticas. As primeiras informações da mídia indicavam que o avião pertencia à companhia italiana Blue Panorama. No entanto, a empresa disse que seus aviões não estavam envolvidos no acidente. 

Um funcionário da Cubana esclareceu que o avião pertencia à Aerolíneas Global Air, do México. Segundo sites que oferecem os serviços da pequena companhia de voos charter fundada em 1990, ela voa a Cuba e opera vários 737 sob o nome legal de Aerolíneas Damojh. A empresa disse que o avião tinha passado pela revisão anual em novembro.

O governo do México confirmou que havia seis tripulantes mexicanos no avião, entre eles o piloto capitão Jorge Luis Nunez Santos, o primeiro-oficial Miguel Angel Arreola Ramirez e as comissárias Maria Daniela Rios, Abigail Hernandez Garcia e Beatriz Limón.

A companhia é conhecida entre os cubanos por seus frequentes atrasos e cancelamentos. A Cubana costuma atribuir esses problemas à falta de aviões e de peças de reposição em razão do embargo americano contra a ilha. O acidente ocorreu em meio à luta de Cuba para melhorar a aviação comercial do país, severamente afetada pelo embargo, imposto em 1960.

O diretor-geral da Cubana, capitão Hermes Hernández Dumas, disse, no mês passado, que os voos domésticos da companhia haviam transportado mais de 11.700 passageiros, entre janeiro e abril deste ano, destacando que 64% dos voos saíram no horário, em comparação com os 59% do mesmo período de 2017.

“Entre as dificuldades provocadas pelo bloqueio imposto pelos Estados Unidos, há também a impossibilidade de adquirir aeronaves de última geração com tecnologia suficiente e capaz de garantir a estabilidade das operações aéreas. As sanções também influenciam na aquisição de peças”, acrescentou.

A Cubana de Aviación suspendeu seus voos domésticos em março, segundo vários meios de informação. O site da Rádio Martí, fundada pelo governo americano, postou a foto de um cartaz na porta da companhia aérea dizendo que todos os voos tinham sido cancelados. Um segurança disse à rádio que literalmente não havia aviões, acrescentando que os que sobraram estavam em péssimas condições.

Na quinta-feira, o site da Airline Geeks informou que a Cubana de Aviación tinha suspendido um de seus voos para a Ucrânia “em razão de problemas técnicos recorrentes que afetavam a segurança do voo”.

Em novembro de 2010, um Boeing 737, fabricado em 1975, da Global Air, que havia decolado da Cidade do México, fez um pouso de emergência no aeroporto de Puerto Vallarta, no Estado de Jalisco, pois o trem de pouso não estava funcionando. O fogo foi rapidamente controlado e nenhuma das 104 pessoas que estavam a bordo ficou ferida. / AFP, AP, EFE, REUTERS e NYT 

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