Avião cai na Rússia, mata presidente e parte da elite política da Polônia

Drama. Pelo menos 97 passageiros viajavam para participar de cerimônia que lembraria os 70 anos do massacre de Katyn, no qual milhares de prisioneiros de guerra poloneses foram mortos por forças soviéticas; eleições antecipadas serão convocadas em breve

Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

11 de abril de 2010 | 00h00

Um acidente aéreo matou ontem o presidente da Polônia, Lech Kaczynski, assim como alguns dos principais dirigentes do país. Oficialmente, autoridades informaram que todas as 97 pessoas que estavam a bordo morreram no acidente. Algumas fontes, porém, indicam que o avião - um Tupolev-154, de propriedade do governo polonês - levava mais de 130 passageiros.

O acidente ocorreu pela manhã, quando o Tu-154 sobrevoava a cidade russa de Smolensk. Além de Kaczynski, também estavam no voo a mulher dele, o ex-presidente da Polônia no exílio, Rysyard Kacyorowski - uma figura histórica da luta contra o comunismo no país -, o presidente do Banco Central, Slawomir Skrzypek, e o candidato à presidência Jerzy Szmajdzinski. Bispos da Igreja Católica, parlamentares, comandantes militares, o porta-voz do governo, o vice-presidente do Parlamento, o vice-chanceler e o chefe de gabinete de Segurança Nacional também morreram no acidente.

A delegação viajava para uma cerimônia em homenagem aos mortos do massacre de Katyn - quando 20 mil soldados poloneses foram mortos por tropas russas. O acidente ocorre no momento em que o presidente tentava normalizar as relações com a Rússia. Uma nova eleição deve ocorrer em 60 dias.

Bronislaw Komorowski, presidente do Parlamento, assumiu o poder de forma temporária até que novas eleições sejam realizadas.

Um porta-voz do governo admitiu ao Estado que o acidente será duramente sentido dentro da estrutura do governo. "Mas somos uma democracia e um Estado de direito que não deixará de funcionar de forma adequada", afirmou. O irmão gêmeo de Kaczynski e ex-primeiro-ministro, Jaroslaw, havia permanecido em Varsóvia.

O presidente americano, Barack Obama, qualificou a morte de Kaczynski de "devastadora para a Polônia, os EUA e o mundo". O papa Bento XVI, por seu lado, declarou ter recebido "com profundo pesar" a notícia da morte "trágica" do líder polonês.

Também o premiê espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero, enviou as condolências ao primeiro-ministro polonês, Donald Tusk. Kaczynski, que tentaria sua reeleição neste ano, atuou como opositor do regime comunista nos anos 70. Em 2005, foi eleito presidente e concentrou seus esforços para neutralizar a influência tanto da economia alemã como da política russa sobre Varsóvia (mais informações nesta página).

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