Tiksa Negeri/ REUTERS
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Avião da Ethiopian cai e mata 157; EUA enviam peritos para investigação

Passageiros de 35 nacionalidades estavam a bordo da aeronave; em outubro, outro avião do mesmo modelo já havia caído na Indonésia

Redação, O Estado de S.Paulo

10 de março de 2019 | 07h22
Atualizado 10 de março de 2019 | 23h17

ADIS ABEBA - Um Boeing 737 Max 8 da Ethiopian Airlines caiu neste domingo, 10, entre a Etiópia e o Quênia, deixando 157 mortos. Antes do acidente, o piloto chegou a reportar dificuldades e pediu permissão para retornar ao aeroporto. Mas o voo perdeu o contato com a torre de controle seis minutos depois de decolar do aeroporto etíope de Bole, às 8h38 horário local (2h38 em Brasília). 

De acordo com informações preliminares, havia passageiros de 35 nacionalidades a bordo do avião, entre eles etíopes, quenianos, franceses, britânicos, americanos e canadenses. Segundo a ONU, havia 19 pessoas ligadas à entidade que seguiam para uma reunião em Nairóbi. O Itamaraty informou que não há brasileiros entre as vítimas. 

O primeiro-ministro da Etiópia, Abiy Ahmed, visitou o local da queda do avião, 60 km a sudeste de Adis Abeba, manifestou sua “profunda tristeza” e prometeu todo o apoio necessário às famílias das vítimas. A estatal etíope é uma das maiores transportadoras do continente e uma das companhias aéreas mais respeitadas e seguras da África. No ano passado, a companhia transportou 10,6 milhões de passageiros.

 

 


Em comunicado, a empresa manifestou suas condolências “às famíliasdos passageiros e tripulantes que perderam suas vidas neste trágico acidente”. Em 2010, outro voo da companhia etíope caiu logo após a decolagem em Beirute, matando as 90 pessoas a bordo. 

O modelo do avião que se acidentou ontem – Boeing 737 Max – era semelhante à aeronave que caiu em outubro no Mar de Java, na Indonésia, deixando 189 mortos. Mas especialistas em segurança alertam contra se fazer um rápido paralelo entre os dois acidentes. 

Segundo o site sueco de rastreamento de voos Flightradar24, o voo apresentou velocidade vertical instável logo após a decolagem. O avião era novo e tinha sido entregue à companhia em novembro.

Em Nairóbi, parentes e amigos dos passageiros aguardavam no aeroporto por informações. “Estamos esperando por minha mãe. Esperamos que ela tenha pegado um voo diferente ou esteja atrasada. Mas ela não atende o telefone”, afirmou aos prantos Wendy Otieno à Agência France Presse. Eufórico, Khalid Bzambur recebeu o filho Ahmed Khalid, cujo voo saíra atrasado de Dubai fazendo com que perdesse a conexão com a Ethiopian Airlines. 

O Conselho Nacional de Segurança em Transportes dos EUA (NTSB, na sigla em inglês) enviou quatro peritos para ajudar nas investigações, disse um porta-voz. A agência Federal de Aviação dos EUA também está monitorando o acidente. “Estamos em contato com o Departamento de Estado e planejamos nos unir ao NTSB em sua assistência às autoridades da aviação civil da Etiópia para investigar o acidente”, disse a agência.

As autoridades investigam se as mudanças nos controles automáticos do Max 8 poderiam ter provocado um mergulho irrecuperável do avião ao não alertar que o bico da aeronave estava inclinado para baixo. A companhia disse que o 737 foi submetido a check-up “rigoroso” em fevereiro.

O acidente ocorreu após a promessa do premiê reformista de abrir a companhia aérea, e outros setores, a investimentos estrangeiros, em uma importante transformação na economia etíope. 

O presidente do Quênia, Uhuru Kenyatta, lamentou a tragédia pelo twitter.

O primeiro-ministro etíope, Aby Ahmed, também expressou pelo twitter "suas mais profundas condolências às famílias daqueles que perderam seus entes queridos no acidente com o Boeing 737".

A Ethiopian Airlines confirmou que a aeronave perdeu contato e provavelmente caiu às 8h44 (horário local), seis minutos depois de decolar do aeroporto internacional de Adis Abeba às 8h38 (horário local, 2h38 em Brasília), perto da cidade de Bishoftu, informou em comunicado.

A empresa alega que o avião não tinha problemas técnicos conhecidos. O operador de tráfego aéreo do país disse que a aeronave apresentou velocidade vertical instável após a decolagem e que a visibilidade parecia estar clara.

As causas do acidente com o avião modelo Boeing 737, com 149 passageiros e oito tripulantes, ainda não foram reveladas.

Mais cedo, a companhia aérea também divulgou contatos de emergência pelas redes sociais.

O avião, com número de voo ET302, tinha previsão de aterrissar no aeroporto internacional de Nairobi Jomo Kenyatta às 10h25 (horário local). A aeronave tinha pouco mais de quatro meses de uso. A Ethiopian Airlines é a maior companhia aérea da África, com vários voos não somente com destinos internacionais, e com uma boa reputação em matéria de segurança aérea.

O acidente ocorreu menos de cinco meses depois que, em outubro de 2018, outro avião do mesmo modelo, um Boeing 737 MAX, da companhia Lion Air, caiu na Indonésia 12 minutos após a decolagem e causou a morte de 189 pessoas. De acordo com informações das caixas-pretas, a queda ocorreu devido a um erro no sistema automático.

Em 25 de janeiro de 2010, um avião da Ethiopian Airlines caiu no Mar Mediterrâneo e deixou 90 pessoas mortas. A aeronave caiu pouco depois de ter iniciado uma viagem de Beirute a Adis Abeba

Em entrevista coletiva transmitida pelo Facebook, o CEO da Ethiopian Airlines, Tewolde Gebremariam, confirmou que havia passageiros de 35 nacionalidades. Entre as que foram divulgadas:

Quênia (32)

Canadá (18)

Etiópia (9)

Itália (8)

China (8)

Estados Unidos (8)

Britânicos (7)

França (7)

Egito (6)

Alemanha (5)

Holanda (5)

Índia (4)

Eslováquia (4)

Áustria (3)

Suécia (3) 

Rússia (3)

Marrocos (2)

Espanha (2)

Polônia (2)

Israel (2)

Bélgica (1)

Djibouti (1)

Indonésia (1)

Uganda (1)

Iêmen (1)

Sudão (1)

Sérvia (1)

Togo (1)

Moçambique (1)

Ruanda (1)

Somália (1) 

Noruega (1)

Irlanda (1)

Arábia Saudita (1)

Nepal (1)

Nigéria (1)

Passaporte das Nações Unidas (1)


 

 

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