Mast Irham/EFE
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Equipes de resgate retomam busca por vítimas de avião que caiu na Indonésia

Quatro minutos depois de decolar o Boeing 737-500 da companhia Sriwijaya Air caiu 3.582 metros de altura em 60 segundos

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de janeiro de 2021 | 08h28
Atualizado 09 de janeiro de 2021 | 22h18

JACARTA - Autoridades da Indonésia retomaram as buscas por vítimas e pelos destroços do avião comercial com 62 pessoas a bordo que caiu no mar no sábado, 9, quatro minutos após decolar do Aeroporto Internacional de Sukarno-Hatta, na capital da Indonésia, Jacarta. O voo seguia com destino a Pontianac, capital da província de Bornéu Ocidental. Nenhum sobrevivente foi encontrado.

O Boeing 737-500 da Sriwijaya Air decolou às 14h36 (04h36 em Brasília) após um atraso de várias horas por causa de chuvas torrenciais na Indonésia. O avião perdeu contato com a torre de controle quatro minutos depois. O avião havia mudado abruptamente de direção, o que levou a torre de controle a perguntar aos pilotos o que estava acontecendo, quando desapareceu repentinamente do radar.

Dados do rastreador de vôo FlightRadar24 mostram que o avião atingiu uma altitude de quase 11.000 pés (3.350 metros) antes de cair para 250 pés (76 metros) em menos de 60 segundos, e desaparecer.

O avião transportava 62 pessoas, sendo 50 passageiros, incluindo sete crianças, entre eles três bebês, e 12 tripulantes, segundo o Ministério dos Transportes. O voo SJ182 estava programado para fazer uma viagem de 90 minutos sobre o Mar de Java até Pontianac, capital da província de Bornéu Ocidental, na ilha de Bornéu.

O porta-voz da agência de busca e resgate disse que os destroços do avião foram encontrados e o ponto exato da colisão seria confirmado. 

Agus Haryono, funcionário da agência de resgate, disse à agência Reuters que 50 pessoas estavam procurando pela aeronave e continuariam trabalhando noite adentro, mas que as chuvas fortes e as ondas atrapalhavam o trabalho. 

Parentes das vítimas se reuniram no aeroporto à espera de notícias. “Tenho quatro membros da minha família no avião – minha mulher e meus três filhos”, contou Yaman Zai, que os esperava no aeroporto de Pontianac. “Minha mulher me enviou uma foto do bebê hoje... Como meu coração não poderia estar em pedaços?”. 

Rapin Akbar, tio de Rizki Wahyudi, um dos passageiros do vôo 182, disse que seu sobrinho ligou para ele para dizer que o voo de Jacarta para Pontianac estava atrasado. Rapin disse que avisou o sobrinho para “manter a máscara facial” enquanto estivesse no aeroporto para evitar contrair o coronavírus. A mulher, o filho, a mãe e a prima de Rizki também estavam no avião.

Críticas à agência reguladora na Indonésia

A Indonésia tem sido duramente criticada pelos baixos padrões de segurança em sua indústria de aviação, que tem sido afetada por acidentes. O setor de aviação na Indonésia, um país em desenvolvimento que é o maior arquipélago do mundo, com mais de 260 milhões de habitantes, tem sido atormentado por falhas de segurança durante anos. Desde 2010, foram 22 acidentes graves, com 545 mortos. 

Em outubro de 2018, um Boeing 737 MAX da companhia Lion Air, modelo diferente do que está desaparecido, caiu no Mar de Java poucos minutos após decolar de Jacarta, deixando 189 mortos. Em 2014, um avião da AirAsia conectando a cidade indonésia de Surabaya a Cingapura caiu com 162 passageiros a bordo. Os investigadores concluíram que houve erro humano e problemas técnicos.

Segundo especialistas, à medida que as companhias aéreas indonésias, especialmente as de baixo custo, cresceram rapidamente para cobrir um vasto arquipélago, a indústria da aviação doméstica foi prejudicada pela manutenção de aeronaves de má qualidade e por descuido nos padrões de segurança.

Durante anos, as principais companhias aéreas indonésias foram proibidas de voar para os Estados Unidos e a Europa pelos reguladores desses países. Companhias aéreas de baixo custo iniciaram negócios rapidamente e declararam falência após acidentes com vítimas.

A Sriwijaya Air, terceira maior empresa aérea da Indonésia, iniciou suas operações em 2003, nunca havia sofrido um acidente com vítimas.

Especialistas acusaram as autoridades de transporte da Indonésia de ignorar os sinais de perigo, pois as companhias aéreas domésticas, incluindo a Lion Air, se expandiram rapidamente para atender a uma classe média em crescimento no país.

O Lion Air Group, dono da maior companhia aérea da Indonésia, assinou o que foram então os dois maiores acordos de aviação da história, um com a Airbus, outro com a Boeing. Especialistas em aviação alertaram que vender aviões para operadoras em crescimento rápido em ambientes não regulamentados pode ser uma receita para o desastre. 

“A Indonésia não tem regulação quase nenhuma sobre as companhias aéreas, que cresceram demais em pouco tempo, e muitas vezes não conseguem manter suas frotas em boas condições, nem seus pilotos bem treinados”, disse ao The New York Times Gerry Soejatman, um especialista em aviação da Indonésia. 

Pilotos indonésios também reclamaram nos últimos meses que o coronavírus diminuiu suas oportunidades de praticar e atualizar seu treinamento. Em um ponto durante a pandemia, a Sriwijaya estava operando apenas cinco aeronaves, disse Soejatman, baixando o moral da tripulação.

No Comitê Nacional de Segurança de Transporte da Indonésia, os investigadores se prepararam para a tarefa de descobrir o que deu errado nos céus do país. “Sempre que ouvimos esse tipo de notícia, nos preparamos”, disse Ony Suryo Wibowo, investigador do comitê. / AP, NYT E REUTERS 

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