REUTERS/Amr Abdallah Dalsh
REUTERS/Amr Abdallah Dalsh

Avião da EgyptAir que ia de Paris ao Cairo cai no Mediterrâneo

Airbus e autoridades gregas afirmam que aeronave, que fazia a ligação entre Paris e Cairo desapareceu próximo à Ilha de Karpathos. Ministro de Aviação Civil egípcio diz que possibilidade de ser terrorismo é maior do que chance de falha técnica

Andrei Netto, Correspondente / Paris, O Estado de S. Paulo

19 Maio 2016 | 06h41

PARIS - A empresa francesa Airbus e autoridades aeronáuticas de Grécia e Egito confirmaram na manhã desta quinta-feira, 19, a queda do voo MS-804 da companhia aérea EgyptAir, que fazia a ligação entre Paris, na França, e Cairo, no Egito. Um total de 66 pessoas, dos quais 56 passageiros, três seguranças e sete tripulantes, morreram na queda do aparelho no Mar Mediterrâneo, no início das águas territoriais egípcias. As circunstâncias da tragédia são desconhecidas, mas governos francês e egípcio não descartam ação terrorista.

O informe da Airbus foi publicado na página da empresa. "A Airbus lamenta confirmar a perda do A320 da EgyptAir, voo MS-804", diz a fabricante, que não entra em detalhes sobre as possíveis causas da queda. Segundo a fabricante, o aparelho, registrado sob o número de série MSN 2088, foi entregue à EgyptAir em novembro de 2003 e era comandado por uma tripulação que tinha 48 mil horas de voo. 

"Até aqui não temos mais informações. Airbus está à disposição da agência de investigação francesa, o BEA, e das autoridades encarregadas da investigação para fornecer toda a assistência técnica necessária", disse a empresa. 

O desaparecimento dos radares aconteceu às 2h29, horário de Paris (21h29 da quarta-feira de Brasília), supostamente próximo à ilha grega de Karpathos, mas já em águas territoriais egípcias. O avião, que não tinha apresentado nenhum problema mecânico, elétrico ou eletrônico e sua última manutenção, trafegava a 37 mil pés (mais de 11 mil metros) de altitude e não emitiu um alerta de "mayday" ou advertências automáticas antes de se chocar contra as águas do Mediterrâneo. 

Balizas de localização, entretanto, indicaram possível posição de parte dos destroços. Além disso, um sinal do avião foi captado duas horas após ele ter desaparecido do radar, podendo ter sido um sinal de emergência, segundo as autoridades.

Além das autoridades egípcias, o governo grego também enviou dois aviões e helicópteros de busca à região, segundo o comandante da aviação civil grega, Constantin Litzerakos. Segundo o Ministério da Defesa da Grécia, a aeronave perdeu 22 mil pés de altitude de forma brusca, após realizar duas manobras anormais: uma curva de 90º à esquerda, seguida de um movimento de 360º à direita, o que segundo o ministro Panos Kammenos indica que o aparelho estava fora de controle.

Entre os passageiros do avião, havia 30 egípcios e 15 franceses, além de 2 iraquianos, e 1 britânico, 1 belga, 1 português, 1 canadense, 1 argelino, 1 saudita, 1 sudanês, 1 chadiano e 1 kuwaitiano. 

Suspeitas. Em função da tragédia, uma reunião ministerial de crise foi convocada pelo presidente da França, François Hollande, para discutir a hipótese de atentado terrorista. Tanto a França, quanto o Egito, são alvos do grupo jihadista Estado Islâmico, e os dois países são parceiros políticos e militares na luta contra o extremismo muçulmano.

Em pronunciamento, Hollande não descartou a possibilidade. "Nenhuma hipótese está descartada, nenhuma está sendo privilegiada", disse, informando ter colocado à disposição das autoridades egípcias e gregas navios e equipamentos para auxiliar nas buscas. "Quando soubermos a verdade, teremos de tirar todas as conclusões. Quer seja um acidente ou um atentado terrorista."

Um atentado terrorista é a causa mais provável para explicar a queda do voo MS-804. A avaliação foi feita pelo ministro egípcio da Aviação Civil, Sherif Fathy, minutos após o governo da Grécia informar que destroços da aeronave Airbus A320 foram localizados ao sul da Ilha de Creta, no Mar Mediterrâneo.

Em coletiva de imprensa no Cairo, Fathi afirmou que não quer tirar conclusões, mas que as análises apontam terrorismo como a causa de maior probabilidade para o desaparecimento do avião. Segundo ele, as buscas por destroços do avião na região da Grécia estão sendo expandidas.

Pela manhã, a construtora Airbus, as autoridades aeronáuticas da Grécia e o presidente da França, François Hollande, confirmaram a perda da aeronave. /com Associated Press

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