Karl Josef Hildenbrand/AFP
Karl Josef Hildenbrand/AFP

Avião da Lufhtansa, sequestrado há 40 anos, volta à Alemanha

Aeronave estava desde 2009 no aeroporto de Fortaleza e chegou a Friedrichshafen no sábado

O Estado de S.Paulo

24 Setembro 2017 | 02h41

BERLIM - O Landshut, o avião Boeing 737-200 sequestrado em 1977 pela Facção do Exercito Vermelho (RAF) e abandonado no Brasil durante uma década, chegou à Alemanha no sábado, 23, para se transformar em peça de museu e símbolo da resistência contra o terrorismo. A aeronave estava desde 2009 no terminal do aeroporto de Fortaleza. 

O chamado “Outono alemão”, um período de atentados da extrema-esquerda na Alemanha, terminou quando o voo 181 da Lufthansa foi sequestrado em 13 de outubro de 1977 por um comando da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP), que pedia a liberdade de membros da RAF.

Com 86 passageiros e cinco tripulantes a bordo, o voo, que decolou de Palma de Mallorca (Espanha) com destino a Frankfurt, foi forçado a fazer cinco paradas em cinco países diferentes.

A jornada terminou no aeroporto de Mogadíscio, na Somália, com ação das forças de elite alemãs. Três sequestradores morreram, assim como o piloto do avião.

Após a tragédia, a aeronave passou por várias companhias aéreas. A última companhia foi a cearense TAF, que comprou o avião em 2002, sem ter ideia do seu valor histórico. Por dez anos, a aeronave ficou na pista do aeroporto de Fortaleza.

Para recordar os quarenta anos do sequestro, a Alemanha decidiu adquirir e repatriar o “Landschut”, de aproximadamente 8,5 toneladas, para exibi-lo em um museu aeronáutico.

O desmonte completo, realizado por uma equipe de engenheiros alemães enviados especialmente para a missão, durou várias semana. Ele foi repatriado a bordo de um avião de carga russo Antonov 225, o maior do mundo.

Centenas de pessoas acompanharam a chegada do aparelho a Friedrichshafen, entre elas um dos policiais alemães que libertou o reféns, Aribert Martin.

“Este é o símbolo vivo de uma sociedade livre que rejeita ceder ao medo e ao terror”, explicou o chanceler alemão Sigmar Gabriel, que aprovou a compra da aeronave por 20.000 euros. / AFP

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