Yiannis Kourtoglou/Reuters
Yiannis Kourtoglou/Reuters

Avião é sequestrado no Egito e forçado a pousar no Chipre

Sequestrador - identificado pelo Egito como Seifedeen Mustafa - foi preso depois de manter reféns por horas, informaram autoridades cipriotas; autoridades suspeitam que ação teve 'motivo passional'

O Estado de S. Paulo

29 de março de 2016 | 06h13

LÁRNACA, CHIPRE - Um avião da EgyptAir foi sequestrado na manhã desta terça-feira, 29, enquanto voava de Alexandria para o Cairo, no Egito. O piloto foi obrigado a desviar a rota e pousar em Lárnaca, no Chipre. A aeronave, um Airbus A320, decolou com 81 pessoas a bordo.

Ao chegar em território cipriota, o sequestrador liberou as mulheres e as crianças que estavam na aeronave. Logo depois, todos os passageiros, com exceção de quatro pessoas de nacionalidade não egípcia, foram soltos. A tripulação também foi mantida refém.

Por volta das 15 horas (9 horas no horário de Brasília), os últimos reféns que estavam no interior do Airbus foram liberados e o governo do Chipre informou que o sequestrador - identificado pelas autoridades egípcias como Seifedeen Mustafa - foi preso, "encerrando a situação" dentro do avião.

O caso. A EgyptAir informou inicialmente que um passageiro do voo a bordo MS 181 possui um cinturão com explosivos, de acordo com informações repassadas pelo piloto. A motivação do homem ao sequestrar o avião ainda não está clara, mas o presidente cipriota Nico Anastasiades afirmou que o sequestro “não é algo que tem a ver com o terrorismo”. Um funcionário do governo que não quis se identificar, comentou que a açpão pode ter “motivo passional”.

Uma autoridade da aviação civil, sob condição de anonimato disse o homem deu aos negociadores o nome de uma mulher que vive no Chipre e pediu que lhe fosse entregue um envelope. Não está claro que tipo de relacionamento o sequestrador do avião tem com a mulher.

O porta-voz do governo egípcio Hossam al-Queish afirmou à rede CBC TV que o sequestrador foi identificado como Ibrahim Samaha, mas a informação foi corrigida depois. Al-Queish e as autoridades não puderam confirmar se o suspeito carrega explosivos junto ao corpo. 

O incidente levanta mais dúvidas sobre a segurança nos aeroportos egípcios, cinco meses após a queda um avião russo na Península do Sinai, cinco minutos após a decolagem, em que morreram 224 pessoas. A Rússia apurou posteriormente que a aeronave foi derrubada pelo grupo terrorista Estado Islâmico, que assumiu a responsabilidade pela tragédia.

O governo da Grã-Bretanha "está em contato" com as autoridades de Chipre e Egito, informou o Ministério das Relações Exteriores britânico. O órgão não confirmou se havia cidadãos britânicos entre os reféns. 

A ex-mulher do sequestrador já aterrissou no aeroporto de Lárnaca, segundo fontes da Polícia local, que também afirmaram que todos os passageiros, entre os quais havia egípcios, americanos, britânicos, irlandeses e italianos, já saíram da aeronave. Ela tem cerca de 50 anos e é da cidade de Oroklini, que fica perto de Lárnaca, de acordo com a imprensa local. O sequestrador teria deixado o Chipre em 1994, confirmaram as fontes da polícia.

A Polícia acrescentou que, por enquanto, a situação ainda é confusa e não há certeza sobre as reivindicações do sequestrador que, segundo a imprensa cipriota, tem quatro filhos com sua ex-mulher. De acordo com a imprensa local, ele estaria exigindo também a libertação de várias mulheres no Egito. /AP, REUTERS e EFE

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